A verdadeira reforma política por Augusto Césare

Augusto Césare - 10 de April de 2017

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Por Augusto Césare*

A recessão econômica dos últimos anos, decorrente do desastre da nova matriz econômica implementada pelo governo passado, começa a apresentar sinais muito tênues de resolução. Alguns setores produtivos começam a mostrar números positivos, o agronegócio promete safras cada vez maiores e a inflação apresenta-se sob controle. A geração de empregos, contudo, sempre foi considerada por especialistas como a última fronteira da crise a ser transposta. Enfim, a recessão possivelmente será freada em 2018 e teremos anos seguintes de provável crescimento.

Entretanto, a retomada de crescimento sustentável com a confiança dos investidores é um processo mais complicado. Não basta ter um ajuste fiscal, não basta ter as contas em dia. A confiança recai sobre a estabilidade política do país, e nesse quesito específico, estamos ainda muito distantes de uma luz no final do túnel. Nossa classe política, com suas raras e honrosas exceções, é de uma qualidade indubitavelmente medíocre. Governam e legislam em causa própria, não possuem sequer vergonha em defender seus interesses pessoais em detrimento dos interesses coletivos. Como verdadeiros arautos do crime, organizam-se em grupos, tomam decisões na calada da noite e buscam aprovar leis que blindem suas prerrogativas. Transitam pelas esferas do governo com um séquito de bajuladores e tratam o resto do povo brasileiro como indivíduos de segunda classe. Não geram riquezas, mas a usufruem dos outros como fazem os saqueadores e parasitas.

A reforma política deveria preceder todas outras reformas, mas como confiar em nossos políticos? Como confiar numa alcateia de lobos tomando conta de ovelhas? A população inteira deveria estar nas ruas, acuando essas senhoras e esses senhores, exigindo medidas drásticas que terminem de vez com a promiscuidade que se instalou entre os Poderes da República e alguns grandes empresários.

E onde está a população?

A questão principal não é reconhecer tamanha desfaçatez dos representantes políticos, é tentar entender como eles conseguem fazer isso tudo bem diante dos olhos de uma população que tem aprendido diariamente a se interessar por política. Os chamados movimentos sociais, sempre ligados aos movimentos sindicais, ocupam eventualmente os espaços públicos para protestar contra o governo atual. Não importa que as reformas tenham sido defendidas pelo governo anterior, nem que esse governo seja apenas a representação caricaturada de um governo reformista. Não se defendem ideias, defendem-se partidos e políticos, muitos dos quais, réus já condenados.

O debate de ideias que existiu antes da Nova República deu espaço apenas às ofensas e intimidações que circulam desde as redes sociais até os corredores do Congresso. Com quase a totalidade dos partidos e dos políticos envolvidos em falcatruas e corrupção, a ética passou a figurar num plano inferior, quase invisível aos olhos do mais atento observador. Para criminosos acostumados com a impunidade oferecida pelo poder do foro privilegiado, esses políticos circulam livremente entre os holofotes da imprensa posando de paladinos da Justiça e Moralidade, enquanto fazem seus conchavos de conveniência.

Para muitos brasileiros o país já acabou. A esperança de melhores dias é sepultada diariamente a cada noticiário de um novo escândalo, de uma nova lista de acusados, de uma nova divulgação de delação. O descrédito é tanto que até medidas policiais são criticadas por serem duras demais. O crime tornou-se tolerável, a desonra só é reconhecida se for grave, a desonestidade só é punida se for calamitosa. Até mesmo a mais alta corte de Justiça parece ter perdido a noção de certo e errado, quando deveria ser nosso baluarte de probidade.

Onde estão os homens e mulheres de bem?

Acuados em seus pequenos mundos, o Brasil do bem está cansado. Verdadeiramente exausto por estar sempre tentando mudar a mentalidade das pessoas. Não mudar para doutrina-las, mas mudar fazendo-as pensar, fazendo-as viver como agentes de seu próprio destino, fazendo-as tomar para si a responsabilidade de conduzir esse país e não de dar poderes a um Estado decrépito, tomado de partidos políticos que parecem mais agremiações criminosas.

Mas o Brasil do bem não pode desistir. O Bem não tem o direito de perder. Gerações atuais e futuras esperam que os pequenos mundos de honra e justiça sejam corajosos para desafiar essa imoralidade que se apossou de nosso país. Jamais teremos uma reforma política enquanto tivermos esses políticos no poder. Outubro de 2018 nos oferecerá uma oportunidade de mudança radical. Precisamos reagir contra a lista fechada e eleger um congresso diferente, formado por representantes do bem, comprometido com o país e seu povo. Um congresso que renuncie seus inúmeros privilégios como reconhecimento que neste país não existem cidadãos de segunda classe.

A única e verdadeira reforma política ocorrerá pela coragem os homens de bem, mas só poderá ser sacramentada por um povo que acredita em líderes, não em bandidos.

A recessão econômica dos últimos anos, decorrente do desastre da nova matriz econômica implementada pelo governo passado, começa a apresentar sinais muito tênues de resolução. Alguns setores produtivos começam a mostrar números positivos, o agronegócio promete safras cada vez maiores e a inflação apresenta-se sob controle. A geração de empregos, contudo, sempre foi considerada por especialistas como a última fronteira da crise a ser transposta. Enfim, a recessão possivelmente será freada em 2018 e teremos anos seguintes de provável crescimento.

Entretanto, a retomada de crescimento sustentável com a confiança dos investidores é um processo mais complicado. Não basta ter um ajuste fiscal, não basta ter as contas em dia. A confiança recai sobre a estabilidade política do país, e nesse quesito específico, estamos ainda muito distantes de uma luz no final do túnel. Nossa classe política, com suas raras e honrosas exceções, é de uma qualidade indubitavelmente medíocre. Governam e legislam em causa própria, não possuem sequer vergonha em defender seus interesses pessoais em detrimento dos interesses coletivos. Como verdadeiros arautos do crime, organizam-se em grupos, tomam decisões na calada da noite e buscam aprovar leis que blindem suas prerrogativas. Transitam pelas esferas do governo com um séquito de bajuladores e tratam o resto do povo brasileiro como indivíduos de segunda classe. Não geram riquezas, mas a usufruem dos outros como fazem os saqueadores e parasitas.

A reforma política deveria preceder todas outras reformas, mas como confiar em nossos políticos? Como confiar numa alcateia de lobos tomando conta de ovelhas? A população inteira deveria estar nas ruas, acuando essas senhoras e esses senhores, exigindo medidas drásticas que terminem de vez com a promiscuidade que se instalou entre os Poderes da República e alguns grandes empresários.

E onde está a população?

A questão principal não é reconhecer tamanha desfaçatez dos representantes políticos, é tentar entender como eles conseguem fazer isso tudo bem diante dos olhos de uma população que tem aprendido diariamente a se interessar por política. Os chamados movimentos sociais, sempre ligados aos movimentos sindicais, ocupam eventualmente os espaços públicos para protestar contra o governo atual. Não importa que as reformas tenham sido defendidas pelo governo anterior, nem que esse governo seja apenas a representação caricaturada de um governo reformista. Não se defendem ideias, defendem-se partidos e políticos, muitos dos quais, réus já condenados.

O debate de ideias que existiu antes da Nova República deu espaço apenas às ofensas e intimidações que circulam desde as redes sociais até os corredores do Congresso. Com quase a totalidade dos partidos e dos políticos envolvidos em falcatruas e corrupção, a ética passou a figurar num plano inferior, quase invisível aos olhos do mais atento observador. Para criminosos acostumados com a impunidade oferecida pelo poder do foro privilegiado, esses políticos circulam livremente entre os holofotes da imprensa posando de paladinos da Justiça e Moralidade, enquanto fazem seus conchavos de conveniência.

Para muitos brasileiros o país já acabou. A esperança de melhores dias é sepultada diariamente a cada noticiário de um novo escândalo, de uma nova lista de acusados, de uma nova divulgação de delação. O descrédito é tanto que até medidas policiais são criticadas por serem duras demais. O crime tornou-se tolerável, a desonra só é reconhecida se for grave, a desonestidade só é punida se for calamitosa. Até mesmo a mais alta corte de Justiça parece ter perdido a noção de certo e errado, quando deveria ser nosso baluarte de probidade.

Onde estão os homens e mulheres de bem?

Acuados em seus pequenos mundos, o Brasil do bem está cansado. Verdadeiramente exausto por estar sempre tentando mudar a mentalidade das pessoas. Não mudar para doutrina-las, mas mudar fazendo-as pensar, fazendo-as viver como agentes de seu próprio destino, fazendo-as tomar para si a responsabilidade de conduzir esse país e não de dar poderes a um Estado decrépito, tomado de partidos políticos que parecem mais agremiações criminosas.

Mas o Brasil do bem não pode desistir. O Bem não tem o direito de perder. Gerações atuais e futuras esperam que os pequenos mundos de honra e justiça sejam corajosos para desafiar essa imoralidade que se apossou de nosso país. Jamais teremos uma reforma política enquanto tivermos esses políticos no poder. Outubro de 2018 nos oferecerá uma oportunidade de mudança radical. Precisamos reagir contra a lista fechada e eleger um congresso diferente, formado por representantes do bem, comprometido com o país e seu povo. Um congresso que renuncie seus inúmeros privilégios como reconhecimento que neste país não existem cidadãos de segunda classe.

A única e verdadeira reforma política ocorrerá pela coragem os homens de bem, mas só poderá ser sacramentada por um povo que acredita em líderes, não em bandidos.

*Augusto Césare é médico cardiologista e mestre em medicina humana