Liberté, Egalité, Fraternité (Parte 2) por Augusto Césare

Augusto Césare - 04 de July de 2017

Qual seria a verdadeira definição de liberdade? Uma continuação.

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O conceito de igualdade presumido no lema francês talvez seja mais controverso e difícil do que aparenta. A grande maioria das pessoas pensa na igualdade de resultados e objetivos. Como seria o mundo se todos fossem ricos, se todos pudessem possuir os bens que quisessem, se todos fossem igualmente bem sucedidos. É natural que esse tipo de igualdade jamais existirá (mais adiante isso será abordado de forma científica), porém esse discurso se apresenta extremamente sedutor quando dirigido às massas. Essa utópica e atraente concepção foi e vem sendo difundida pelos governos populistas como algo exequível, criando a falsa ilusão que o Estado é o responsável por permitir e cultivar a igualdade de resultados.

Quando um aluno pobre ingressa numa faculdade de difícil acesso ou quando um profissional humilde consegue êxito em um concurso, o Estado se interpõe como o mediador do fato. O mérito do aluno e do profissional é relegado a um plano secundário como se suas noites de estudo e suas horas de dedicação fossem pequenos detalhes de sua trajetória exitosa. O Estado vende uma imagem de planejador e executor de uma sociedade igualitária. E onde fica a imagem do indivíduo? O aluno que assume o Estado como tutor de sua proeza anula todo o mérito próprio e de seus pais. O profissional que dá ao Estado o mérito de sua conquista está fadado a ser um seguidor. Já o aluno, que reconhece sua capacidade intelectual e seu esforço, saberá honrar a si próprio e seus pais como verdadeiros vencedores. O profissional que reconhece o mérito pessoal é um líder natural que sabe colocar o indivíduo como senhor do Estado, e não o contrário.

O conceito de igualdade mais notório antecede o lema francês. Thomas Jefferson escreveu na Declaração de Independência dos EUA “Todos os homens são iguais...dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.” Igualdade perante Deus! Igualdade pessoal! Nesse sentido, igualdade e liberdade são plenamente possíveis e complementares. Mas o crescimento do pensamento coletivista, seja através do socialismo ou de suas vertentes mais brandas como o Fabianismo e a Social-Democracia, transportaram o conceito de igualdade para outro patamar. Passou-se a entender igualdade no sentido de oportunidades semelhantes e resultados iguais.

É possível estabelecer uma igualdade de oportunidades em seu sentido literal? Uma criança nascida em um seio familiar estável, com pais preocupados com uma base de cultura e conhecimento possivelmente terá melhor oportunidade do que uma criança nascida numa família desprovida de estímulo cultural. Isso não depende apenas de condição socioeconômica, mas sobretudo, de peculiaridades pessoais, individuais. Pela sua condição fisiológica, por exemplo, um negro apresenta possibilidade muito maior de sucesso no atletismo do que o branco. Por maior que seja a dedicação e o treinamento do atleta branco, o esporte atletismo favorece o biótipo negroide. Partindo desse princípio, a igualdade de oportunidades está diretamente conectada ao indivíduo e suas peculiaridades, seus talentos, seus esforços e seus méritos.

Muitos governos buscam e buscaram igualar as oportunidades através de medidas intervencionistas, como cotas e bonificações, no entanto se esqueceram de ponderar a individualidade e o talento. Isso gera distorções importantes nos resultados. É como exigir que um homem branco percorra cem metros rasos melhor que um negro, isso não vai acontecer. É apostar que o indivíduo que não gosta de estudar, que não gosta de lidar com pessoas e que não tem nenhum talento para habilidades manuais seja um grande cirurgião, isso vai ser um desastre.

O conceito de igualdade de resultados é ainda mais esdrúxulo. O princípio que todos devem cruzar a linha de chegada ao mesmo tempo, mesmo considerando que alguns podem ser mais rápidos e outros mais lentos, fere o princípio básico de liberdade. Além disso, o preceito de igualdade de resultados gera uma queda expressiva de produtividade e desempenho, pois nivela todos por baixo, desestimulando a criatividade, a superação e a inovação. Os defensores da igualdade de resultados clamam que somente dessa forma teríamos uma sociedade justa, no entanto o preceito básico de justiça é a ausência de injustiça. É justo um jovem herdar uma fortuna em bens e ações? É justo um atleta ganhar milhões numa luta de boxe ou numa partida de futebol? É justo um talentoso estudante ganhar milhões desenvolvendo ciência? Existe diferença entre essas pessoas? A vida foi injusta com as pessoas que não obtiveram sucesso?

O estabelecimento da igualdade de resultados baseado num pretenso senso de justiça é uma armadilha. Não torna a sociedade mais justa, nem a torna mais próspera.

Como foi colocado inicialmente, igualdade em essência jamais existirá. Nenhuma folha de uma planta é igual à outra e nenhum ser humano é idêntico ao outro, pois até mesmo os gêmeos univitelinos possuem códigos genéticos levemente diferentes segundo estudos do geneticista Carl Bruder. A ciência e a natureza nos prova diariamente que não somos iguais, então por que devemos buscar a igualdade? Ou exatamente qual seria a igualdade pretendida pela sociedade?

O desejo de buscar igualdade através da distribuição de riqueza permeou diversos governos socialistas e afins. Com o mote de uma política inclusivista, governos usaram as leis do Estado para elevar impostos e taxar o setor produtivo, redistribuindo uma pequena parcela desse bolo com as classes mais pobres. Isso não aconteceu apenas no Brasil, mas em vários países com administração Sócio-Democrata ou Fabiana. E o que efetivamente aconteceu? Houve redistribuição de riqueza? Parte dela foi redistribuída com a criação de novas classes de burocratas privilegiados ligados ao Sistema, foi relocada com a criação de sindicatos e seus aristocratas do movimento trabalhista e foi furtada com o surgimento de lobistas e doleiros que espertamente burlam as leis e regulamentos para auferir lucros. O que efetivamente não ocorreu foi a criação de uma sociedade mais igualitária.

A busca da igualdade de resultados reprime frontalmente a liberdade individual de um povo. No final, essa sociedade não terá nem uma coisa nem outra.

Somos diferentes. Nossa verdadeira igualdade é refletida no princípio existencial! Aprendemos que somos iguais perante o Criador e somos igualmente detentores dos direitos inalienáveis de vida, liberdade, propriedade e busca da felicidade. Enquanto a força e a lei forem usadas para estabelecer igualdade seremos obrigados a abrir mão da liberdade. Os governos socialistas não criaram uma sociedade equânime a partir da intervenção, pelo contrário, criaram uma plutocracia formada pelos membros do Partido.

A diversidade, mobilidade e ascensão social só podem existir de maneira efetiva e constante numa sociedade livre. A liberdade que permite a cada indivíduo exercer suas habilidades e suas capacidades de forma plena, buscando sua realização pessoal, seu sucesso profissional e sua felicidade como indivíduo. Dessa forma, a liberdade é o primeiro requisito para uma sociedade mais igualitária e próspera.

Augusto Césare é médico cardiologista e mestre em medicina humana

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