Liberté, Egalité, Fraternité (Parte 3) por Augusto Césare

Augusto Césare - 15 de July de 2017 (atualizado 22/Aug/2017 12h30)

Qual seria a verdadeira definição de liberdade? A conclusão.

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“Sua doutrina é apenas metade do meu programa. Parou na Liberdade; eu continuo até chegar à Fraternidade.”

                                                                                                                                                                                                                                LAMARTINE

“A segunda metade do seu programa destruirá a primeira.”

                                                                                                                                                                                                                                      BASTIAT

O breve diálogo acima traz a reflexão sobre o significado da Fraternidade. Uma evolução necessária para uma sociedade livre e justa? Um empecilho? Ou talvez Lamartine e Bastiat estivessem enxergando dois lados de uma única moeda? Para entender a Fraternidade no contexto social é preciso regressar aos seus princípios básicos e ao conceito frater, que em latim significa irmão.

O sentimento fraterno existe desde quando o homem tornou-se um ser sociável, ou quem sabe, até mesmo antes. O certo é que a Fraternidade é tão antiga quanto o ódio e a disputa entre os homens. Antes limitado a um convívio social mais restrito, o sentimento fraterno ganhou uma conotação mais ampla após o Cristianismo, no entanto, isso não impediu séculos de guerras, algumas delas entre verdadeiros irmãos de sangue. Será que a Fraternidade é apenas uma utopia? Afinal de contas, o Homem que mais exerceu a Fraternidade na essência da palavra foi condenado pelos seus próprios irmãos!

Talvez a resposta para o sucesso ou insucesso da aplicação do espírito fraterno esteja inserida no diálogo acima. Talvez seja necessário incorporar ao princípio da Fraternidade um adjetivo que o permita sua prática com Liberdade. Fraternidade Voluntária!

Historicamente, todas as vezes que o princípio da Fraternidade tentou ser instituído a partir de leis ou imposições ilegais, não foi possível executá-lo de forma plena. Em contrapartida, as ações de caráter voluntário que buscaram executar o princípio fraterno foram exitosas. Políticas públicas que surgiram com o mote de distribuição de riquezas ou inclusão social não diminuíram a diferença entre ricos e pobres. As políticas sociais implantadas por instituições filantrópicas ou por iniciativa pessoal mostram-se mais perenes e efetivas do que as políticas públicas. O Estado ou qualquer instituição, em sua condição de gestor ou regulador, é ineficiente em instituir a Fraternidade por um motivo simples, fraternidade involuntária é espoliação! O homem quer ter a liberdade de escolher, e é a escolha que transforma o princípio da Fraternidade em ações efetivas.

Colocar os princípios do ideário francês de Liberdade, Igualdade e Fraternidade como equivalentes é irreal. A Liberdade é, sem dúvida alguma, o pilar mestre para uma sociedade justa e fraterna. A Igualdade, em seu sentido amplo de que somos iguais perante Deus, e em seu sentido específico de que somos diferentes e singulares, é um princípio que reforça o conceito de Liberdade. A Fraternidade destituída de Liberdade é fadada ao insucesso, pois carece do princípio moral da possibilidade de escolha inerente ao homem livre.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade soam como o modelo ideal de sociedade, mas antes de exaltarmos esses princípios precisamos rever seus conceitos.

Liberdade como princípio básico e inquestionável. Igualdade como objetivo social pautado no reconhecimento das diferenças e singularidades. Fraternidade como consequência voluntária e livre do desejo pessoal de Igualdade.

Para ler as duas primeiras partes deste ensaio, visite aqui (parte 1) e aqui (parte 2).

Augusto Césare é médico cardiologista e mestre em medicina humana