Bahia

Biólogo baiano é referência em estudos sobre murundus construídos por cupins

Cultura&Realidade - 26 de Julho de 2019 (atualizado 26/Jul/2019 13h37)

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Murundus e os seus cupins engenheiros de ecosistemas - Foto: Divulgação

O biólogo Henrique Jesus de Souza é hoje umas das referências mundiais do estudo dos murundus, unidades de relevo formadas por cupins com cerca de 9m de diâmetro e 2,5 m de altura, muito comuns no semiárido brasileiro, especialmente na Bahia e em Minas Gerais. A origem desses montículos divide os estudiosos do solo em todo o mundo, mas sua dedicação ao assunto, refletida no doutorado em Ecologia e no mestrado em Ecologia e Biomonitoramento pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), têm tudo para ajudar a desvendar os mistérios por trás deste grande enigma.

O site Correio 24h entrevistou o pesquisador, que também é especialista em Ecologia e Intervenções Ambientais pela Unijorge, para saber mais detalhes sobre os estudos que vêm sendo desenvolvidos em torno das formações que aparecem em quase todo o território baiano. “Estamos diante de um dos maiores exemplos de ‘engenharia de ecossistemas’ do planeta! Essa informação já havia sido apresentada à comunidade científica no artigo que publicamos no periódico Annales de la Société Entomologique de France em 2016, onde mapeamos uma distribuição geográfica real de 230.000 km², e estimamos uma distribuição geográfica potencial de 270.000 km² de murundus no semiárido”.

“É surreal pensar que nós, habitantes desta região, passamos a vida inteira rodeados, e no caso de algumas localidades, literalmente dentro de metrópoles construídas por organismos tão pequenos quanto os cupins engenheiros. “Engenheiros de ecossistemas”, na ecologia, são organismos que diretamente ou indiretamente influenciam a disponibilidade e o fluxo de recursos para outras espécies, além deles próprios, por causar alterações físicas em materiais bióticos e abióticos”, diz Henrique.

De acordo com o biólogo, “os cupins são considerados ‘engenheiros de ecossistemas’ principalmente por causa da sua capacidade de modificar fisicamente o ambiente em que vivem a partir da produção de estruturas biogênicas [montículos, ninhos, câmaras, galerias, túneis, etc]. No caso dos murundus, são milhares de estruturas distribuídas em uma área correspondente a 27% do bioma Caatinga e equivalente a pouco mais de duas vezes o território de Portugal, ou ao espaço que poderia ser ocupado por mais de 1.200 estádios do Maracanã [um dos maiores estádios de futebol do mundo!]”.

Ainda segundo Henrique, “os modelos fornecem evidências consistentes de que as distribuições geográficas de murundus e de quatro espécies de cupins construtores de montículos no semiárido brasileiro estão em equilíbrio com o regime climático atual [o qual já estava estabelecido pelo menos há 6.000 anos, conforme dados climáticos da base WorldClim] e a disponibilidade de nutrientes no solo, sendo os murundus, possivelmente, uma resposta adaptativa de cupins construtores de montículos às condições ambientais regionais”.

Nascido em Salvador, Henrique foi criado em Seabra, na Chapada Diamantina.

 

Fonte: Jornal da Chapada