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Irecê e Região

Comoção e pedido de justiça no sepultamento de Lucas, morto pela polícia, por engano

Cultura&Realidade - 30 de Novembro de 2017 (atualizado 30/Nov/2017 11h49)

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Milhares de pessoas nas ruas de Irecê, acompanham funeral de Lucas e protestam em pedido de justiça - Foto/reportagem/texto: Tamires de Castro/Olga Lara

“Justiça! Justiça! Justiça!”... foi com este grito de ordem que milhares de pessoas participaram, na tarde desta terça-feira, 29, do funeral do jovem Lucas Batista, 22 anos, que faleceu no início da do noite de segunda-feira, 27.

Cerca de três mil pessoas e centenas de carros atravessaram a cidade de Irecê, enfrentando um sol inclemente, entre sua residência, na Praça do Caixeiro e o cemitério no bairro Boa Vista, transformando o cortejo em ato de protesto, em razão das circunstâncias que envolveram a prematura morte do jovem feirante do ramo de confecções, reconhecido como trabalhador e cumpridor dos seus deveres. Ele foi sepultado às 17h.

Durante o funeral, o Pr. Júnior, da Igreja Quadrangular, a qual Lucas frequentava, orou e ressaltou a fé de Lucas. Durante o cortejo um carro tocava a música camelô (profissão da vitima) e em forma de protesto “Pare a polícia, ela não é a solução, não” e seguiam gritando “JUSTIÇA!”, “TILUCA!”, os cartazes com frases criticando os serviços de segurança e de saúde:  “A polícia começa e o regional termina”. Tiveram também o apoio de comerciantes, que abaixaram as portas em sinal de respeito à família.

A morte de Lucas comoveu toda cidade. Um irmão dele clamava pela sua “ressuscitação” e lamentava o mínimo de tempo que ficara ao lado do irmão. A população, família e amigos pedem angustiados que os autores sejam julgados e sentenciados. “Eu espero bastante por justiça e que episódio como este não ocorra com mais ninguém, porque é lamentável, é triste, é doloroso”, manifestou Elton, tio da vítima.

ENTENDA O CASO – No dia 10 de outubro, por volta das 19:30h, Lucas estava com o seu primo Ian, 20, se deslocando do povoado de Macedônia (João Dourado) para Irecê, em uma “Strada” de cor branca, quando Lucas foi alvejado por tiros disparados por policiais, próximo à comunidade de Achado (Irecê).

De acordo com informações, os policiais estavam em operação para recuperação de um veículo “strada” branco, que foi tomado de assalto na região metropolitana de Salvador naquele dia. Ainda de acordo com as informações, na versão da polícia, Lucas não teria obedecido a barreira policial e por isso ocorreram os disparos.

Ao reconhecer Lucas, já baleado, os policiais ficaram atônitos e por coincidência o carro fruto do roubo, que era objeto da suposta barreira policial, passou logo em seguida no mesmo local, sendo encontrado através de rastreador, em poder de um provável receptor em Presidente Dutra.

Na versão de Ian, não havia barreira policial. Não havia sequer sinal de policiamento no local. “Não tinha nenhuma barreira policial, não tinha nenhuma viatura na pista, nem cones. Eles estavam na lateral da pista, na ribanceira”.

Ian fala também sobre a negligência da policia. “Eu abri a porta e comecei a gritar que meu primo já estava baleado e que éramos cidadãos, pais de família; ficamos deitados no chão por cerca de 30 minutos, e uns dez minutos depois disso os ladrões passaram com o carro da mesma cor. Eu que levei meu primo para o hospital, não deram nenhum socorro. Não tive nenhum apoio, não me ajudaram nem a tirar ele do chão”, relatou o primo da vítima.

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