file-2017-02-08175959.335653-Banner-CR-topo-notcia_22b9a9f62-ee39-11e6-aece-047d7b108db3.jpg

Irecê e Região

Donos de transportes alternativos bloqueiam estrada em Canarana e querem a Agerba regularizando e não criminalizando

Rodrigo de Castro Dias - 10 de Agosto de 2017 (atualizado 10/Ago/2017 10h23)

Manifestantes bloqueando rodovia em Canarana, região de Irecê

Manifestantes bloquearam rodovia em Canarana com pneus, paus e fogo (Reprodução/WhatsApp)

Redação Cultura&Realidade

Mais de 200 proprietários de transporte alternativo bloquearam estrada que liga região da Chapada Diamantina a Irecê. Assessoria da deputada Fabíola Mansur solicitou audiência para tratar do assunto.

A BA-432 amanheceu interditada na manhã de hoje no perímetro urbano da cidade de Canarana com pedras, paus e pneus, aos quais foram ateados fogo pelos manifestantes. O protesto faz parte de uma movimentação dos proprietários de transportes alternativos (perueiros e taxistas) que fazem o transporte de passageiros de povoados e municípios que não tem horários convencionais das empresas de ônibus com rotas licitadas pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba).

“Há vários anos que operamos sem causar nenhum acidente com passageiros. Prestamos um serviço importante, pois funcionamentos em horários e público não atendidos pelas grandes empresas, nós geramos empregos na região de Irecê, nós contribuímos com a geração de riquezas, transportando passageiros que realizam negócios, que compram produtos e serviços”, diz um documento distribuídos pelos manifestantes.

Faixa de manifestantes do transporte alternativo da região de Irecê

Faixa dos manifestantes em Canarana (Reprodução/WhatsApp)

De acordo com Diego Dourado, um dos protestantes, “a Agerba tem vindo à região de Irecê com uma frequência acima do normal. Nós não queremos facilidades, queremos que a Agerba em vez de vir com a policia nos tratando como marginais, venha nos oferecer serviços e capacitação para que possamos regularizar nossos serviços. Somos pais de família e ajudamos a economia regional. Nós transportamos pessoas para tratamento de saúde, pessoas que estudam, pessoas que fazem negócios em Irecê e outros municípios”, disse.

Comércio de Irece - Donos de lojas de Irecê, taxistas e serviços de mototaxistas reclamaram esta semana de redução de negócios. O taxista Antonio Fidelis afirmou que toda vez que a Agerba atua na região, os serviços de mototaxi praticamente ficam parados. 

Aquilane Gonçalves, do restaurante Tapiocaria Vó Anália também acusa redução de negócios. “Por três vezes que temos a noticia da presença da Agerba em Irecê, a gente reduz os serviços da cozinha. Nossas vendas caem cerca de 60%”, disse a comerciante.

O presidente da Casa do Comercio de Irecê, João Marlon, foi enfático em dizer que o transporte alternativo na região realiza um serviço importante. “Não temos dúvida do grande papel desenvolvido pelos proprietários de transporte alternativo. Precisamos encontrar uma condição legal para que os mesmos não fiquem expostos”, disse, manifestando total apoio aos manifestantes.

Estrada foi bloqueada na manhã desta quinta-feira

Estrada em Canarana foi bloqueada na manhã desta quinta-feira (Reprodução/WhatsApp)

De acordo com dados da Coordenação Municipal de Tráfego de Irecê (CMTT), a população flutuante na cidade (que é o principal polo comercial da região) em busca de comércio e serviços diversos, varia entre 15 e 20 mil pessoas todos os dias e calcula-se que 60% deste contingente são transportados pelos transportes alternativos. “A gente atua em horários e/ou localidades que as empresas com rotas regulares não atendem”, salienta Diego, um dos 213 empreendedores de transporte alternativo. 

Audiência - A assessoria da deputada estadual Fabíola Mansur solicitou a Agerba uma audiência, prevista para a próxima segunda-feira (14), visando a construção de um acordo no qual se crie um calendário para criação de rotas e licitações, onde os proprietários de transporte alternativo tenham a oportunidade de, através de suas associações de classe, participarem em condições de regularizarem suas atividades. "Até a realização destes procedimentos, que se permita que os trabalhadores possam continuar sua lida. Que se tenha um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para adequação às normas, a partir de uma iniciativa do Estado", ponderou a assessoria da deputada.

O prefeito Elmo Vaz, que demandou a deputada em nome dos manifestantes, afirmou que acredita que a negociação levará a uma alternativa adequada. "Para que assim todos os segmentos que operam o transporte de passageiros possam atuar de forma digna e legal".⁠⁠⁠, afirmou.