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Opinião C&R

Eleição da Mesa Diretora da Câmara: Irecê no caminho de grave retrocesso

Cultura&Realidade - 05 de Dezembro de 2018 (atualizado 05/Dez/2018 17h45)

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Sede da Câmara de Irecê - Foto: Irecê Repórter/Google

O prazo para registro de chapas que disputarão a Mesa Diretora da Câmara para o próximo período legislativo esgotou-se às 9h da manhã desta quarta-feira, 5. Duas chapas foram apresentadas. Uma liderada pelo vereador Paulinho do Distack e a outra pelo vereador Tertinho.

Foi praticamente um mês de conversações, com possibilidades de diversas fusões. Ao final, sai em vantagem na disputa, a construção liderada pelos ex-prefeitos Beto Lelis e Luizinho Sobral, que emplacaram a subtração dos dois vereadores eleitos pelo sobralismo em 2018, que haviam aderido ao grupo governista no início de 2017: Paulinho do Distak e Edilson Cachoeira.

Contando agora com oito vereadores, a oposição poderá emplacar a Mesa Diretora, na votação prevista para o próximo dia 15. Serão dez dias daqui para frente, de tensão e conversações entre os vereadores e seus líderes.

Há quem diga que já está tudo resolvido, tendo como certa a vitória da oposição. Mas há quem prefira esperar para ver o desfecho com o resultado da urna. Muitos capítulos desta novela ainda poderão surgir e ao final, se ter um desfecho inesperado. Ao menos, na história da Câmara de Irecê, no passado, muitas surpresas de fato ocorreram.

Apesar da história ofertar aquele frisson , prevalece, com justa razão, o favoritismo oposicionista.

Mas, o que esperar de uma Mesa Diretora do Legislativo Municipal de Irecê, sob a presidência de qualquer um dos dois candidatos?

Paulinho, ex-comerciante em Irecê, vendeu seus empreendimentos e comprou uma indústria de cerâmica em Barra, do Rio Grande. É lá onde vive a maior parte do seu tempo. Cuidando dos seus negócios. Vereador por dois mandatos, teve sua votação minguada de 823 votos em 2012, para  485 votos em 2016, reflexo da improdutividade legislativa e abandono às suas bases eleitorais.

Incapaz de produzir algo de relevância para a sociedade, deverá chegar à presidência da Câmara a troco de chantagem política: “só permaneço no grupo, se for para ser o presidente da Câmara”. Este foi o preço que cobrou para permanecer na base governista, que demorou a acordar para a ameaça, perdendo para a oposição que foi rápida em aceitar a imposição.

E o vereador Tertinho, o que já produziu de útil ao longo da sua carreira parlamentar? Na eleição passada, ensaiou ser o candidato de unidade a prefeito de Irecê, sem êxito. Porém, parece ter aceitado o seu desidrato com visceral ódio, uma vez que também não conseguiu ser o presidente da Câmara, visto que seus pares preferiram Rogério Amorim, o Figueiredo.

Restou-lhe, como consolo, o compromisso de que seria o candidato do grupo no atual momento, e assumir a liderança da bancada governista no atual período legislativo. Mas não agradou aos seus liderados. Na prática, não cumpriu o papel de líder. Ausentou-se de muitas sessões importantes, sendo inclusive taxado de gazeteiro. E não costuma aparecer para reuniões de alinhamento de bancada em momentos de matérias polêmicas. Por conta disso, perdeu aceitação da própria bancada.

Nas atuais articulações, dialogou com as duas correntes políticas, na expectativa de se garantir como presidente da Câmara. Enquanto se reunia com os governistas, trocava figurinhas com Beto Lelis por telefone. Ele já ocupou outras vezes a presidência da Câmara, inclusive responde processo por improbidade administrativa, por execução indevida do orçamento legislativo.

Suas movimentações no intuito de registro de chapa, protelaram alianças e impediram que a ala governista construísse uma chapa competitiva, forçando, nos últimos segundos, seu próprio registro como candidato.

O desfecho das movimentações com vistas à gestão da Câmara no próximo período legislativo, considerando a visão de mundo, da política e especialmente do que se tem de trabalho dos dois candidatos em seus mandatos de vereadores, é de um grave retrocesso para a cidade de Irecê.

Neste contexto, tudo leva a crer que teremos um presidente da Câmara favorecendo a lideranças que foram derrotadas na política e na Justiça: Beto e Luizinho.

O primeiro, teve relatórios da CGU – Controladoria Geral da União, apontando diversas irregularidades administrativas como prefeito de Irecê e condenado por crime eleitoral, tendo seus direitos políticos suspensos por oito anos, e, neste período, enganou milhares de eleitores, que perderam seus votos, em um pleito de deputado federal e outro de prefeito.

O segundo, derrotado para prefeito em 2016 e para deputado estadual em 2018, teve também seus direitos políticos suspensos, por oito anos, pelo Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e responde por diversos processos por improbidade administrativa, inclusive sendo condenado pelo Tribunal de Contas dos Municípios a devolver recursos ao tesouro municipal.

Triste sina, Irecê “naufragando em mar de trevas”!