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Politica

Irecê Luizinho Sobral, ascensão e derrocada: Um sonho que se acabou?

Cultura&Realidade - 20 de Dezembro de 2017 (atualizado 20/Dez/2017 17h24)

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Ex prefeito de Irecê Luizinho Sobral - Foto: Ilustração/Google

Depois da derrota inesperada na última eleição, o reinado Sobral parece ter sofrido seu maior golpe na história política de Irecê.

A historia do clã dos Sobral na política Irecêense deixou marcas profundas, dissabores e diversas intrigas familiares, que vão desde a conflitos e processos judicias entre os parentes, até realizações históricas deixadas pelo velho e querido Sobral. O pai de Luizinho era um homem simples e respeitado, reverenciado como “o velho Sobral”, e conhecido também como “Luiz do Saco”, trazendo no seu nome a marca de um homem que chegou a Irecê nos anos 70 como um simples vendedor de sacos e se tornou prefeito de Irecê e deputado estadual, além de ter elegido seu sobrinho Henrique Sobral, considerado como filho, prefeito de Irecê com apenas 23 anos de idade.

Posteriormente a família Sobral tentou por duas vezes suceder o patriarca, com as candidaturas a prefeito da esposa Ivone e da filha Jô Sobral, sem sucesso nas urnas. Foram derrotadas por Beto Lelis, Joacy e Zé das Virgens, e ficam fora do comando por cerca de 20 anos.

Eis que então surge o filho, Luizinho Sobral, com estilo político completamente diferente do velho Sobral, e se lança na política por cima, começando como vereador em Salvador e mais tarde deputado Estadual. Posteriormente se candidata a prefeito de Irecê e vence as eleições para Zé das Virgens em 2012. Para isso, articulou uma grande aliança com lideranças estaduais, as quais traiu em seguida, sendo hoje considerado figura não grata entre os que o apoiaram em 2012.

A carreira meteórica de Luizinho Sobral chama atenção por um detalhe: nenhum dos seus mandatos, de vereador ou mesmo deputado foi concluído, demonstrando um objetivo claro: a Prefeitura de Irecê. Foram mandatos curtos, que na política não coadunam com o sucesso, especialmente quando se estuda as trajetórias dos grandes líderes.

Apesar da carreira meteórica, Luizinho, de estilo temperamental, agressivo e arrogante, começa a fechar portas no meio político, por se demonstrar pouco confiável nas relações, e, principalmente, por se comportar de forma arrogante e autoritária, bem diferente do velho Sobral, que cultivou amizades sólidas e duradouras. A Bahia inteira tem conhecimento que o velho Sobral morreu brigado com Luizinho, por discordar de seu comportamento pessoal.

De estilo midiático e ditatorial, impôs, a contragosto do seu grupo político, um vice-prefeito em sua chapa durante a sua convenção em 2016, como se fosse um Steven Jobs da política irecêense. Sempre vendendo uma imagem de político imbatível e senhor da situação, acabou surpreendido nas urnas por Elmo Vaz, um técnico de carreira, sem tradição política e sem qualquer chance aparente de vencê-lo.

Sem definição política clara, como é de seu estilo (até agora ninguém sabe quem Luizinho irá apoiar para governador), após a derrota nas urnas se lança pré-candidato a deputado estadual na tentativa de se reerguer politicamente. Mais uma vez é surpreendido e sofre um dos maiores golpes políticos de sua trajetória, por determinação da Justiça Eleitoral, tendo seus direitos políticos cassados por oito anos, sentença decorrida de processo judicial referente a abuso de poder econômico (corrupção eleitoral) nas eleições de 2012, quando governou por quatro anos sob liminar.

Nesse cenário, o grupo comandado por Luizinho fica à deriva e abre espaço para seu ex-aliado, “Zé Carlos da Cebola”, que cresce exatamente no campo do Sobralismo e ameaça de vez a carreira política e o reinado Sobral.

Fonte:  Site Chapada em debate.