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Irecê e Região

"Liderança para diferentes gerações" foi tema de palestra do repórter Caco Barcellos em Irecê

Cultura&Realidade - 09 de Outubro de 2017 (atualizado 09/Out/2017 18h34)

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Caco Barcellos palestra para 400 pessoas em Irecê - Foto: Tamires de Castro

Por Rodrigo de Castro*

O Sebrae trouxe para Irecê na noite desta sexta-feira (6) uma referência de qualidade no jornalismo brasileiro para passar um pouco da sua experiência e ética de trabalho ao público empreendedor da região. O repórter Caco Barcellos, reconhecido por seu trabalho à frente do programa Profissão Repórter, da Rede Globo, apresentou no auditório do Gran Fest a palestra 'Liderança Para Diferentes Gerações', onde discorreu sobre como o intercâmbio entre juventude e experiência pode enriquecer as relações e dinâmicas profissionais não só no trabalho, mas também na vida.

O evento faz parte da Semana Sebrae, uma programação variada que a entidade vem promovendo em várias regiões da Bahia. A palestra contou também com apoio da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL/Irecê), da Associação Comercial de Irecê (ACE) e da Prefeitura Municipal. A CDL foi representada pelo diretor-tesoureiro Adalvo Martins.

A partir do questionamento "Quem aprende mais com quem? Os jovens ou os mais velhos?", Caco discorreu sobre a rotina que vive diariamente no comando do programa do qual é criador e apresentador. O jornalista coordena o trabalho de um grupo de jovens profissionais, todos eles sem nenhuma experiência prévia em televisão. "Nossa premissa básica no Profissão Repórter é, além de mostrar os diversos lados, as diversas verdades contidas nos fatos, nas notícias, é fazer esse trabalho com um grupo de pessoas que nunca exerceram a sua profissão no ambiente televisivo, o que por si só é algo muito desafiante", ilustrou. 

No entanto, os jovens repórteres participam de uma rigorosa seleção até conquistarem a oportunidade de trabalhar no programa. "Apesar de inexperientes, são todos muito capazes. A qualidade nas notas durante a faculdade é um fator de corte importante", explicou Caco. O jornalista usou o exemplo do programa para enfatizar a necessidade de incentivar a entrada de novos profissionais no mercado de trabalho. "Os jovens tem muito a somar, com seu ímpeto, criatividade e diferentes visões. Estes elementos, somados com a experiência e conhecimento dos veteranos, pode levar qualquer iniciativa a outro nível", afirma.

Injustiça social  

O criador do Profissão Repórter dedicou boa parte de sua apresentação a um tema que é muito presente nos seus 46 anos de carreira. "Nós somos o país da injustiça. Injustiça social, injustiça econômica, e isso é uma vergonha", cravou. Para ele, o combate as origens de tamanha desigualdade precisa fazer parte da vida de todas as pessoas. Caco criticou ainda o consumismo desenfreado e irrefletido: "ganhar dinheiro é bom, é importante, não há dúvida. Mas ter isso como único foco de vida não pode nunca ser algo saudável. Há de se buscar outros valores mais importantes que a prosperidade material acima de qualquer outra coisa", defendeu o jornalista.

Caco Barcellos deu exemplos da influência da defesa da igualdade e dos direitos humanos no seu trabalho ao longo dos anos, exibindo vídeos de reportagens produzidas em coberturas de guerras e conflitos, como na Palestina, onde quase morreu. E afirma que superou muitos perigos e dificuldades da profissão com conhecimentos adquiridos na infância e na época em que dependia de trabalhos informais para viver. "Nessa ocasião da Palestina, foi o meu instinto que desenvolvi na época em que fui taxista que nos tirou daquele perigo. Já no início de carreira, as coisas que aprendi quando era criança na igreja (encadernamento, datilografia) me deram ferramentas que me ajudaram nas horas de aperto. Meu primeiro texto publicado em jornal só saiu por causa do meu ofício de taxista, que fez meu chefe enxergar um diferencial em mim", ilustrou.

Filosofia de trabalho

A partir de seus exemplos de polivalência, Caco apontou que, para ter sucesso na vida, é preciso valorizar todo tipo de experiência adquirida, e também saber ouvir. "Para eu, que sou repórter, o mais importante é ouvir, em detrimento de falar. É ouvindo que eu consigo captar a essência dos fatos, e só assim eu posso cumprir o meu dever profissional de mostrar a verdade dos fatos, a realidade dos brasileiros". 

Para o jornalista, que cresceu trabalhando em diversos empregos para ajudar a família, que era de baixa renda, a definição das pautas do Profissão Repórter é um dos seus mantras e o centro do seu ofício. "Todo dia, quando eu acordo, reflito sobre o meu dever como repórter, que é contar histórias dos brasileiros para os brasileiros, e isso tem norteado tudo o que eu fiz nesses anos todos". Por conta disso, um questionamento sempre o consome todas as manhãs: "Quem eu irei conhecer? Qual será o meu destino?"

*Jornalista, Assessor de Comunicação da CDL e colaborador eventual do site Cultura&Realidade.