Economia

Ministro autoriza início das atividades produtivas do Baixio de Irecê, depois de 60 anos de investimentos

Cultura&Realidade - 25 de Novembro de 2019 (atualizado 25/Nov/2019 12h36)

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Mais de 200 agricultores já podem iniciar as atividades produtivas no Baixio de Irecê - Foto: Ilustração

Gerente Regional da Codevasf reconhece o papel "destravador" do ex-presidente da empresa, Elmo Vaz

 

O ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto e o presidente da Codevasf Marcelo Andrade Moreira Pinto, estiveram em Itaguaçu da Bahia, na última sexta-feira, 22, para autorizar o início das atividades produtivas nas áreas 1 e 2, do projeto Baixio de Irecê, contemplando 203 agricultores, que irão desenvolver culturas irrigadas, voltadas para alimentação e energia.

As principais culturas previstas são algodão, cana-de-açúcar, frutas e legumes. As etapas 1 e 2 abrangem 16,5 mil hectares irrigáveis, divididos em 375 lotes individuais e empresariais.

Quando essas partes estiverem ativas, o Baixio do Irecê tem previsão de produzir 16 mil toneladas de frutas e 83 mil toneladas de grãos. A expectativa é que o empreendimento tenha um valor bruto de produção anual de R$ 140 milhões e gere 20 mil empregos diretos e indiretos.

O projeto já envolveu cerca de R$ 1 bilhão em investimentos estruturantes. Com início ainda nos anos 60 do século passado, por iniciativa do então deputado federal Manoel Novais, o Baixio de Irecê esteve travado por muitos anos por questões de prioridade governamental e burocracia que prejudicaram a liberação dos lotes produtivos em condições jurídicas que permitissem acesso a financiamento bancário para custeio da produção.

Elmo Vaz, então presidente da Codevasf, articulou as mudanças do perfil socioeconômico do projeto e viabilizou a superação da burocracia junto ao Incra e sistema financeiro para acesso a crédito - Foto: Ilustração

Foi a partir do ingresso do atual prefeito de Irecê, Elmo Vaz, como Presidente da Codevasf, entre 2012 e 2015, no governo da Presidente Dilma Roussef, que o projeto entrou na pauta de prioridade, sendo elaborado um plano de reordenamento de objetivos sociais e produtivos, com foco na simplificação do acesso dos produtores aos lotes produtivos e especialmente pavimentação do caminho para novos instrumentos administrativos que permitiram, nos últimos 12 meses, as condições para que os produtores fossem contemplados pelas políticas do Incra e de financiamento bancário para a agricultura.

“A passagem de Elmo Vaz, pela Presidência da Codevasf foi fundamental para que o Baixio tenha saído do papel pela iniciativa dele, com a Concessão de Direito Real de Uso  (CDRU) para o Baixio, modelo que possibilitou que agricultores pudessem, legalmente, ocupar as áreas irrigáveis”, disse o gerente do escritório regional da Codevasf, engenheiro agrônomo Luiz Alberto Barbosa.

Durante a sua gestão frente à presidência da Codevasf, Elmo Vaz iniciou uma verdadeira maratona, procurando convencer o então governador da Bahia Jaques Wagner e o então ministro da Integração, Fernando Bezerra, que, por sua vez, convenceram o Ministério do Planejamento e o Palácio do Planalto, de que o Baixio de Irecê não poderia ser um projeto exclusivo de cana de açúcar. “Eu não poderia como filho dessa região ter ocupado a Presidência da Codevasf e não ter lutado pela consolidação do Baixio de Irecê”, afirmou.

“Após demonstrar tecnicamente que a ocupação poderia ser compartilhada entre agricultores familiares, empresários e o agronegócio, a área técnica da Codevasf chegou ao modelo atual, cujo processo licitatório foi publicado ainda na minha gestão, detalhou Elmo.

Questionado por este site, como se sentia sendo apenas “figurante” nos palanques festivos, primeiro no Governo Temer e agora no governo Bolsonaro, Elmo Vaz ressalta que uma obra desta magnitude acontece em várias etapas, por vários componentes em períodos diferentes de governos, e que, o que importa é que o Baixio está cada vez mais perto de ser um pólo de irrigação produtivo e consolidado.

“Esse é o maior reconhecimento”, diz. “Os irrigantes e, principalmente, os agricultores familiares sabem qual foi o meu papel nessa história, sabem do grande esforço que fiz durante todo tempo que passei à frente da Codevasf, para ver esse sonho se tornar realidade”.

Elmo Vaz conta ainda que tem um sonho, que é ver o restante da área do baixio se transformar em um Projeto de Desenvolvimento Rural (PDR). “O baixio ainda possui 30 mil hectares disponíveis e que podem ser transformados em uma grande oportunidade, com pouco investimento, pois não precisaria construir mais canal, basta levar a água  através de adutoras”, explica. “Existe inclusive um anteprojeto contratado na codevasf com essa concepção, que permite assentar mil famílias em torno de arranjos produtivos capazes de alimentar dezenas de agroindústrias”, finalizou.