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Geral

Movimento pela inclusão social dos surdos ganha força em Irecê

Cultura&Realidade - 27 de Setembro de 2017

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Audiência Pública na Câmara de Vereadores de Irecê, debateu inclusão social dos surdos - Foto: Tamires de Castro

A Câmara de Vereadores de Irecê acolheu nesta terça-feira, 26, a Audiência Pública de extraordinária importância. Vereadores e comunidade refletiram a inclusão dos surdos no Território de Irecê. Trata-se de um segmento social pouco visto, mas são milhares deles que vivem, em sua maioria, excluídos dos processos sociais, com profundos impactos na vida dos mesmos e dos seus familiares. Na oportunidade, celebrou-se o Dia Nacional de Surdos.

De acordo com a professora de línguas, Coordenadora do projeto “Os Filhos do Silêncio” desde 2015, Reinilde de Araújo Pereira, uma das articuladoras do movimento pela inclusão dos surdos, “as pessoas portadoras de surdez sofrem com o isolamento, solidão, em razão da total falta de comunicação nos seus espaços de convivência, seja em casa, na escola ou na rua eles enfrentam a barreira linguística e por isso não adquirem autonomia pessoal, política e intelectual. Enquanto criança e jovem, mesmo marginalizados, eles se envolvem com muitas oportunidades lúdicas, mas à medida que a idade avança, o sofrimento se amplia”, diz. 

Ainda segundo a professora, “os familiares também sofrem. Inicialmente com o impacto ao constatar a surdez dos seus filhos. Há o desânimo e em seguida a assimilação associada à busca dos recursos na medicina, mas por falta de orientação vem também a acomodação deixando em segundo plano o aprendizado da Língua de Sinais. Os familiares perdem as esperanças de solução de convivências sociais inclusivas, e passam apenas a conviver, sem busca de possiblidades, por falta de expectativas”, afirma.

Para ela, a Audiência Pública, requerida pelos vereadores Fabiano Bia (PPS) e Meirinha (Rede) foi muito importante, “pois permitiu que representações dos agentes públicos tivessem acesso às informações e demandas sobre o segmento gerando um movimento em prol da criação da ASSISTIR – Associação para a Inclusão de Surdos do Território de Irecê”, avaliou.

 Além de vereadores de Irecê, o prefeito de Mulungu do Morro Fredson Cosme e o secretário executivo da Associação das Prefeituras da Região de Irecê, José Souza, participaram do evento e se comprometeram na mobilização e sensibilização pelas causas dos surdos no Território de Irecê.

SURDOS NO TERRITÓRIO DE IRECÊ - Pelo levantamento do IBGE/2010, no Território de Identidade de Irecê que é constituído por 20 Municípios, o número total de surdos (pessoas com grande ou total dificuldade de audição) é de 4.831. Assim distribuídos: América Dourada (155), Barra do Mendes (162), Barro Alto (227), Cafarnaum (131), Canarana (300), Central (193), Gentio do Ouro (073), Ibipeba (110), Ibititá (245), Ipupiara (198), Irecê (559), Itaguaçu da Bahia (259), João Dourado (257), Jussara (261), Lapão (349), Mulungu do Morro (141), Presidente Dutra (143), Uibaí (385), São Gabriel (197), Xique-Xique. (486).

CONTEXTO – Conforme manifesto postado no grupo de comunicação eletrônica interna do movimento pela criação da Associação de Inclusão de Surdos do Território de Irecê (Assistir), “o Brasil tem oficialmente, desde 2002, duas línguas oficiais: a Língua Portuguesa e a Língua Brasileira de Sinais/LIBRAS. A maioria da população desconhece o que reza a Lei e outra parcela da sociedade apesar de conhecer, prefere manter-se neutra à legislação ou fingindo não ter nada com isso.

Ninguém escolhe ter um filho surdo, ou com qualquer outra deficiência. No entanto, filhos especiais nascem sem aviso prévio e não distinguem padrão social ou intelectual de suas famílias.

Houve uma época em que ser surdo era considerado uma maldição e por conta disso, muitas crianças surdas eram arrancadas de suas famílias e jogadas em precipícios ou oferecidas em sacrifício para aplacar a fúria dos deuses. Acreditem: ao longo da história, nascer surdo tem sido sinônimo de sofrimento.

Quando nos isentamos da responsabilidade de incluir, optando pela compaixão, deixamos que a piedade, o protecionismo e a filantropia acabem por minar as chances de crescimento e independência das pessoas com necessidades especiais; atualmente no caso dos surdos, esse tipo de exclusão em nada se diferencia do extermínio praticado na antiguidade.

Na ausência de pesquisa mais recente, independente de quais sejam os números atuais, precisamos nos unir para: O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA CIDADÃ frente à temática SURDEZ. Precisamos levar a público o quão importante é, para o cidadão, adquirir novos olhares, concepções e atitudes de respeito às diferenças em todos os espaços de convivência.”