BRASIL

Pobreza será sacrificada pela nova previdência focada no interesse bancário, proposto por Paulo Guedes

João Gonçalves - 01 de Julho de 2019

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Camadas mais pobres viverão estado de miséria no futuro - Foto: Ilustração

Ao contrário do que se pensa, segundo alguns especialistas, nem todo o valor investido poderá ser resgatado.

De acordo com os debates que vem ocorrendo em diversas publicações, a proposta de Reforma da Previdência de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, que foi apresentada há poucas semanas, consegue ser pior do que a de Michel Temer. Tal proposta aumenta para 40 anos a contribuição para que se possa receber aposentadoria integral, corta os benefícios por invalidez e pensões por morte e diminui para menos da metade de um salário mínimo o valor pago a idosos pobres.

Todavia, o ataque a longo prazo mais prejudicial é o que prevê a transferência do regime previdenciário para a capitalização. Ao contrário do sistema de solidariedade entre gerações que vigora hoje no Brasil, na capitalização é a poupança individual de cada trabalhador que custeia no fim da vida a sua própria aposentadoria.

O que está em jogo é qual sociedade queremos para o futuro: se baseada no princípio da solidariedade, assegurando vida digna para seus idosos a partir de um sistema público, ou baseada no “cada um por si”, onde terão direito ao merecido descanso apenas aqueles que tiverem condições de arcar com uma previdência privada, gerida por grandes bancos.

Os demais ou morrerão trabalhando ou envelhecerão na miséria. Essa escolha será tomada nos próximos meses. Ainda há tempo de interferir nela.

Da Redação, com conteúdo da Carta Capital