Comportamento

Professora inclui aluno cego com materiais 100% táteis

Cultura&Realidade - 24 de Setembro de 2019

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“No final da prova ele chorou, agradeceu por eu ter feito o material para ele" - Fotos: Redes sociais

De acordo com a professora de Geografia Fabiana Rocha, inicialmente o seu grande desafio era ensinar o conteúdo para Nathan, que é cego. Fabiana que trabalha no Colégio Mario Schenberg, em Carapicuíba (SP), começou a dar aulas para a turma de Nathan há quatro meses.

“Quem me conhece sabe o quanto amo ser professora e como não consigo conceber a ideia de um aluno ser excluído de alguma maneira das minhas aulas e do processo de ensino e aprendizagem”, afirma.

Dentro da instituição, a metodologia de ensino é apostilada (fechada), o que frustrava a professora, que queria encontrar maneiras de incluir Nathan com mais eficiência no processo de aprendizagem.

Processo de inclusão

Dias antes do período de provas, enquanto montava uma avaliação para uma turma recheada de pirâmides e gráficos, Fabiana subitamente teve uma ideia: fazer um material 100% tátil para Nathan.

“Comecei a pesquisar, estudar, criar e saiu os primeiros materiais – gráficos com diversas texturas (E.V.A com Glitter, felpudo, liso etc.), pirâmides etárias de Lego, mapas com divisões em linhas e grãos (feijão, milho etc) entre outros”, conta.

Chegado o dia da prova, a professora, apreensiva, sentou-se ao lado do menino e disse: “Nathan, preparei algo diferente para você”. O pequeno abriu um sorriso no rosto, e naquele momento, Fabiana teve certeza que tudo daria certo.

No decorrer da avaliação, ela utilizou o material tátil em conjunto com os conteúdos vistos em sala, e logo se emocionou ao presenciar o aluno respondendo a absolutamente todas as questões da prova com o auxílio do material tátil.

“No final da prova ele chorou, agradeceu por eu ter feito o material para ele e eu chorei junto em saber que venci um obstáculo dentro da inclusão na educação”, afirma a professora. Atualmente, Nathan e sua turma estão finalizando o terceiro bimestre.

Fabiana conta que o menino tem crescido muito, apoiado pelos colegas e pelo material de sala, que conta com atlas em braille e leitura de gráfico com Lego. “Aqui, o que não nos falta é a alegria e compromisso no ensinar e aprender”, diz.

No dia 13 de setembro, Nathan presenteou Fabiana com um quadro e disse que queria ter desenhado a professora, chegando a perguntar à ela como eram seus traços, mas que resolveu não fazer “pois sempre quando pensa em seu rosto não ‘enxerga’ olhos, nariz e boca, mas uma luz”.
Para a docente, esse quadro é muito mais do que um presente – é um sentimento de dever cumprido. “Ser professor nos dias de hoje é mais do que ser luz… Educar é criar pontes de possibilidades e eu amo isso“, conclui.

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Com conteúdo do Razões Para Acreditar