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Testes realizados no Congo agora classificam o vírus Ebola como curável

Cultura&Realidade - 17 de Agosto de 2019

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“De agora em diante, não vamos mais dizer que o Ebola é incurável” - Fotos: Reprodução/Agência Anadolu

De acordo com a comunidade científica, o vírus Ebola não pode mais ser chamado de “doença incurável”. Após 2 das 4 drogas testadas em um surto de casos na República Democrática do Congo reduzirem significativamente a taxa de mortalidade, a doença agora é classificada como “curável”.

A droga ZMapp, usada durante uma maciça epidemia em Serra Leoa, Libéria e Guiné, e a Remdesivir, mais recente, foram apontadas como as mais eficientes no combate ao vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A partir de novembro, todas as unidades de tratamento do ebola na República Democrática do Congo contarão com a dupla de medicamentos.

“De agora em diante, não vamos mais dizer que o Ebola é incurável”, disse o professor Jean-Jacques Muyembe, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica da República Democrática do Congo, que supervisionou o estudo. “Esses avanços ajudarão a salvar milhares de vidas.”

Um dos maiores obstáculos na luta contra o surto de casos no Congo, que perdura há um ano, o segundo maior da história – com quase 3 mil casos confirmados – tem sido a relutância daqueles que adoecem em procurar tratamento.

Além disso, a chance de sobrevivência dos infectados tem sido muito baixa. Estima-se que 7 em cada 10 pessoas infectadas com o ebola no país morreram.

 

                                       

Jean-Jacques afirma que muitas pessoas viram membros da família entrarem em um centro de tratamento de ebola e saírem de lá mortos. “Com a chegada desses medicamentos, a taxa de mortalidade caiu vertiginosamente, aumentando a chance de cura. Até 90% dos pacientes que vão ao centro de tratamento sairão de lá completamente curados”, disse.

“As pessoas vão começar a acreditar na chance de cura e terão mais confiança em buscar tratamento”, complementou.

Anthony Fauci, diretor de um laboratório de pesquisas nos EUA, disse que a mortalidade geral daqueles que receberam ZMapp em quatro centros foi de 49%, enquanto a do Remdesivir foi de 53%.

Um anticorpo monoclonal produzido recentemente que sintetiza as duas drogas reduziu a mortalidade global para 29%. No entanto, segundo os cientistas, os infectados que se apresentam ao centro de tratamento na primeira semana em que os sintomas são expostos, têm uma taxa de mortalidade ainda menor: 6%.

Em outras palavras, a chance de cura do ebola mais do que dobrou com a chegada dos novos medicamentos: 94%.
Em média, as pessoas que adoecem levam até quatro dias para buscar ajuda, disse o dr. Michael Ryan, da Organização Mundial de Saúde. Isso reduz suas chances de sobrevivência e torna provável que o vírus, disseminado por fluidos corporais, seja transmitido para suas famílias.
Para ele, a chave para a cura e o combate à epidemia é a busca pelo tratamento o mais breve quanto possível.

Assim, o próximo passo é conscientizar a população para que busque auxílio nos primeiros dias em que os sintomas da doença se manifestarem, e jamais deixar o tratamento para depois.  O ebola é capaz de matar um ser humano em meras duas semanas desde a infecção.

Da redação, com conteúdo do Razões para Acreditar