No País 45 adolescentes (entre 15 e 19 anos) se tornam mães a cada 60 minutos. Nesta mesma hora, cinco bebês nascem de mães com idade entre 10 e 14 anos. A Prefeitura de Irecê realizou esta semana, caminhada para chamar a atenção sobre o tema. Veja mapa de casos nos municípios da região
Da Redação I Cultura&Realidade
Com elevado risco de morte e com impacto direto na saúde, formação e bem-estar social, mais de 400 mil adolescentes tem suas vidas afetadas pela gravidez precoce no Brasil. Em Irecê, são quase 150 casos em 2022 e no Território de Irecê foram 800 registros. Proporcionalmente, Jussara lidera os indicadores com 23,20% de incidência, segundo dados do DataSus/Ministério da Saúde. Ipupiara é o que tem o menor índice de casos (4,21%).
Pensando em refrear as ocorrências, o município de Irecê realizou caminhada no centro da cidade, nesta sexta-feira, 13, com o tema “Na folia da vida, escolha o seu tempo”, promovida pela Prefeitura de Irecê, por meio da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, com participação da rede de órgãos do município.
Animados por sonorização mecânica automotiva, com temas carnavalescos, cerca de 200 servidores municipais acompanharam o prefeito Murilo Franca e secretários que participaram do ato, que saiu da sede da secretaria promotora, passando pelo centro da cidade, até a Praça Teotônio Marques Dourado Filho, onde ocorreu uma concentração para fala das autoridades e populares.










A iniciativa está inserida nas metas da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, campanha instituída pela Lei nº 13.798/2019, que ocorre anualmente de 1º a 8 de fevereiro. O objetivo é disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas, visando reduzir a incidência de gestações precoces através de diálogo, conscientização e acesso a métodos contraceptivos, além de sensibilizar as famílias e toda a sociedade para o tema, que é considerado grave problema de saúde pública, que afeta a vida de milhares de pessoas em todo o País.
O prefeito, o secretário Pedro Sodré (social) e a secretária Alcione Neiva (das Mulheres e Cidadania), destacaram a importância do ato. Para eles, é urgente que os poderes públicos e a sociedade como um todo, as famílias principalmente, façam um esforço para prevenir gravidez na adolescência.
“As jovens que engravidam prematuramente prejudicam suas vidas, afetando todos os ciclos formativos, seja do corpo ou da educação, com fortes impactos na saúde física e mental, comprometendo totalmente o seu futuro.
Por esta razão, clamamos as famílias e toda a sociedade para o enfrentamento a este problema de saúde pública”, disse o prefeito.
A secretária Alcione Neiva (Mulher e Cidadania) reforçou a necessidade de apoiar e tornar a campanha Irecê na Prevenção da Gravidez na Adolescência permanente. Para ela, os danos causados pela gravidez precoce são irreparáveis, afetando toda a vida dos adolescentes.
“Principalmente as mães, mas também os pais adolescentes tem de reprogramar suas vidas, os cuidados com a saúde e o meio de vida”. Ela destaca também que as campanhas educativas devem alcançar os adultos.
“Além de chamar a atenção dos pais para a responsabilidade de acompanhamento dos seus filhos e educação sexual no ambiente familiar e nas escolas, como forma de prevenção”.
Alcione ressalta ainda que “muitas jovens são engravidadas por adultos machistas, que muitas vezes usam o discurso de que as adolescentes seduzem. Estes devem responder por crime de estupro de vulnerável, pois, por mais que haja uma questão cultural a ser vencida, os adultos de hoje sabem das responsabilidades e consequências. Estes não devem assimilar os atos impensados de uma pessoa no ciclo infanto/juvenil”. Conclui.
Indicadores que preocupam
De acordo com dados do Observatório da Saúde Pública (OSP), a gravidez na adolescência no Brasil é um desafio de saúde, com cerca de 1 em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos tornando-se mães anualmente.
Os indicadores são considerados altos (68,4 nascimentos por mil) acima da média mundial, que é de 43/1.000. A maior frequência de incidência ocorre na região Norte e contextos de vulnerabilidade, como baixa escolaridade, pobreza, falta de planejamento familiar, além de riscos como pré-eclâmpsia e aborto são verificados no público alvo dos estudos.
Com cerca de 400 mil adolescentes (OSP/2022) que se tornam mães anualmente, a cada 3 anos (2020-2022) mais de 1 milhão de jovens nessa faixa etária tem filhos. Isto é, a cada uma hora, cerca de 45 adolescentes dão à luz. Entre meninas de 10 a 14 anos, o número passou de 49 mil/ano.
Segundo este dado, aproximadamente 5 meninas de 10 a 14 anos se tornam mães, a cada hora no Brasil. Importante lembrar que, de acordo com a legislação, nessa faixa etária mais jovem, qualquer gestação é considerada resultado de estupro de vulnerável.
Estudos indicam ainda que muitas gravidezes ocorrem por falta de educação sexual e planejamento, com impacto direto na saúde, especialmente nos aspectos físicos e psicológicos, afetando as condições sociais e projeto de vida das jovens, forçando frequentemente a saída da escola e inserção precoce no mercado de trabalho ou dependência econômica.
Na Bahia
A Bahia também se apresenta com cenário preocupante de gravidez na adolescência, sendo um dos estados brasileiros com altos registros, apesar da tendência de queda. Em 2023, cerca de 13,4% dos nascidos vivos no estado foram de mães entre 10 e 19 anos, totalizando mais de 22 mil adolescentes, com casos frequentes na faixa de 10 a 14 anos, totalizando nesta fase, mais de 1,3 mil meninas mães.
No Território de Irecê
Com 880 casos, segundo dados fornecidos pelo DataSus/Ministério da Saúde (2023), o Território de Irecê registra elevados índices de gravidez adolescente. Enquanto a média nacional aponta que 6,84% dos partos gerais no País são desta fase infanto/juvenil, na região de Irecê os índices variam de 4,21% (Ipupiara) a 23,20% (Jussara).
Embora Irecê apareça com o maior número de casos, proporcionalmente aparece com uma das menores incidências. Veja o ranking, segundo dados mais recentes do DataSus/Ministério da Saúde (2023). A ordem de classificação abaixo se refere aos percentuais relativos aos nascidos vivos no município correspondente.
1 – Jussara – 42 casos (23,20%)
2 – Ibipeba – 37 casos (23,13%)
3 – Itaguaçu da Bahia – 35 casos (20,7¨%)
4 – Cafarnaum – 45 casos (20,27%)
5 – Canarana – 66 casos (20,06%)
6 – Lapão – 54 casos (19,56%)
7 – Xique-Xique – 147 casos (19,44%)
8 – João Dourado – 73 casos (19,21%)
9 – Ibititá – 33 casos (18,54%)
10 – Barro Alto – 22 casos (17,89%)
11 – Barra do Mendes – 11 casos (16,76%)
12 – Mulungu do Morro – 22 casos (16,23%)
13 – América Dourada – 30 casos (16,22%)
14 – Sã Gabriel – 33 casos (15,87%)
15 – Central – 25 casos (15m63%)
16 – Uibaí – 15 casos (13,76%)
17 – Presidente Dutra – 14 casos (12,07%)
18 – Irecê – 179 casos (11,60%)
19 – Gentio do Ouro – 12 casos (11,01%)
20 – Ipupiara – 4 casos (4,21%)





