Agressão do DJ Ivis choca e coletivo de Irecê se manifesta

Ivis agrediu Pamella Holanda com socos e chutes - Foto: Print do vídeo

– Reportagem veiculada no Jornal Hoje da TV Globo, nesta segunda-feira, 12, que expôs violência doméstica praticada pelo DJ Ivis, chocou o Brasil. Emissora de rádio ireceense tira o artista da programação e o Movimento Somos, também de Irecê, repudia o ocorrido –

DA REDAÇÃO I Cultura&Realidade

Repercutiu em todo o País, por meio das redes sociais, a agressão sofrida por Pamella Holanda, ex-esposa do DJ Ivis, de Fortaleza (CE) conforme imagens de vídeos reproduzidas nesta segunda-feira, 12, pelo jornalístico vespertino da Globo. Mesmo diante da filha, da babá e de um amigo, em diferentes momentos, o artista agride violentamente à sua esposa.

Após diversas agressões, Pamella resolveu exibir as imagens e denunciar o autor. Depois de muita repercussão dos atos violento, Ivis entrou com ação na Justiça do Estado do Ceará, requerendo que as imagens fossem retiradas das redes sociais.

Ives moveu ação contra Pamella, por calúnia. A defesa do artista justifica que a esposa de Ivis “comunicou à imprensa fatos mentirosos relativos à violência doméstica veiculada em site na internet prejudicial a sua reputação”.

Na decisão, a juíza Maria José, que estava no Plantão Judiciário do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), informou na decisão, que não verificou no conteúdo divulgado por Pamella “qualquer conduta que ultrapasse o direito de expressão”.

Além da ação contra a ex-esposa, Ivis soltou um comunicado dizendo que ele e Pamella não viviam “uma relação saudável há algum tempo”. Em uma série de vídeos divulgados em suas redes sociais, o músico confirmou as agressões e disse que vinha sendo ameaçado, sem detalhar como.

Demissão de produtora

As imagens dos atos violentos, independentemente do mérito e decisão judicial, não deixam dúvidas da conduta do agressor, que já está sofrendo as consequências sociais e profissionais.

Xand Avião anunciou que DJ Ivis não faz mais parte da Vybbe, escritório que administra a carreira de cantores como Zé Vaqueiro, Nattan e Priscila Senna.

“Não admito nem compactuo com nenhum tipo de violência, ainda mais com uma mulher. Nada explica, não tem explicação”, afirmou o cantor. “Como todo mundo sabe o DJ faz parte da Vybbe, infelizmente, não tem como continuar com ele na nossa empresa.”

Várias plataformas sociais e emissoras de rádios suspenderam o artista das suas respectivas programações, em repúdio às agressões que o mesmo praticou contra a mãe da sua filha, ainda de colo.

Em Irecê, a emissora Caraíbas FM retirou da sua programação, em definitivo, todas as produções do artista.

Caraíbas FM se posiciona contra os atos de violência do DJ Ivis – Imagem: Divulgação

HISTÓRICO DAS DESAVENÇAS DO CASAL

Vídeos gravados por câmera de segurança interna mostram DJ Ivis agredindo a ex-mulher na frente da filha e de outras duas pessoas.

Não é possível identificar os dias em que as agressões aconteceram, mas a vítima, Pamella Holanda, compartilhou as imagens em rede social neste domingo (11). Além dos vídeos, Pamella postou fotos de como o seu rosto teria ficado após as agressões.

Pamella, que é arquiteta e influenciadora já havia feito um Boletim de Ocorrência contra o ex-marido havia pouco mais de um mês.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSPDS), Pamella registrou ocorrência de lesão corporal no âmbito da violência doméstica em 3 de junho, no Eusébio, município da Região Metropolitana de Fortaleza.

O inquérito policial foi instaurado, mas não foi possível prender Ivis em flagrante, porque as agressões ocorreram no dia 1º, segundo o órgão público.

A Polícia Civil solicitou ao Poder Judiciário medidas protetivas de urgência em favor de Pamella. Também informa que o caso segue em investigação e que a polícia ainda não tinha sido apresentada às filmagens das agressões divulgadas neste domingo.

Após a divulgação dos vídeos, DJ Ivis se pronunciou por meio de nota e nas redes sociais. No comunicado, o artista fala do término com Pamella, mas não menciona as agressões.

“Infelizmente não temos vivido uma relação saudável há algum tempo e já faz uma semana que estamos separados de fato. Estamos tentando de todas as maneiras que tudo isso tenha uma solução. Temos uma filha que não precisa viver no meio de conflitos. Desde a separação, semanalmente, envio um valor para as despesas, já deixei pago pediatra e vacinas da nossa filha”, comentou DJ Ivis.

Já em uma série de vídeos publicados numa rede social, o artista falou do relacionamento conturbado que tinha com Pamella, confirmou as agressões e disse que vinha sendo ameaçado. Ele não dá detalhes sobre o teor das ameaças, nem os motivos.

“Sempre tentei fazer de tudo para que isso não chegasse ao extremo. E, como eu disse, tenho como provar tudo, nada vai justificar a reação que eu tive, mas não aguentava mais ameaças.”

“Eu não vou ter raiva do que as pessoas estão falando de mim, porque eu não posso. As pessoas estão reagindo do que estão vendo, mas estão comentando as coisas que não sabem”, continuou.

Ivis agrediu Pamella Holanda com socos e chutes – Foto: Print do vídeo

Quando começou a se defender na internet, o produtor e cantor mostrou a imagem de um Boletim de Ocorrência que fez contra mulher no dia 13 de março.

Segundo o documento, Ivis diz que Pamella “não admite de forma alguma o fim do relacionamento” e que “a mesma ameaça se jogar do condomínio e sumir com a filha menor”.

“Saí de casa e tenho assumido todas as despesas da filha. Foi feita a denúncia, mas ainda não fui ouvido. Tudo será devidamente provado e esclarecido com o tempo”, complementou o artista, que é paraibano, mas mora no Ceará.

MOVIMENTO SOMOS SE MANIFESTA

“Fatos como este infelizmente são corriqueiros e ocorrem em todos os lugares. Em nossa cidade inclusive. O caso de Pamela ganhou repercussão por envolver artistas e ter sido veiculado na TV, em rede nacional. Temos de nos manter atentas e denunciar todas as formas de violência contra a mulher”, salienta a coordenadora do Coletivo Somos, movimento feminista de Irecê, professora Daniela Lopes.

Professora Daniela Lopes, do movimento feminista Coletivo Somos, repudiou: “Temos de nos manter atentas e denunciar todas as formas de violência contra a mulher” – Foto: Arquivo pessoal

Redação Cultura & Realidade

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