Especialistas apontam sinais comportamentais e recomendam práticas para pais e responsáveis
Da Redação | Cultura&Realidade
O que começou nas redes sociais como um alerta visual sobre crianças com crises de ansiedade, agressividade, distúrbios do sono e comportamentos de automutilação encontra respaldo em estudos científicos recentes. Pesquisas indicam que a exposição excessiva a celulares, tablets e computadores pode estar associada a prejuízos emocionais e comportamentais em crianças e adolescentes, especialmente entre 6 e 12 anos.
Levantamentos apontam que o tempo prolongado diante das telas está relacionado a maior risco de ansiedade, sintomas depressivos, dificuldades de atenção e alterações no comportamento. Esses impactos costumam ser potencializados por fatores como redução da atividade física, privação de sono e menor convivência social, elementos essenciais para o desenvolvimento infantil saudável.
Estudos observacionais também indicam que crianças com uso excessivo de telas podem apresentar dificuldades de interação social, baixa tolerância à frustração e respostas emocionais intensas. Em alguns casos, o ambiente digital passa a funcionar como um refúgio emocional, criando um ciclo de dependência que reforça problemas já existentes.
Especialistas destacam que o uso exagerado de dispositivos eletrônicos pode contribuir ainda para atrasos no desenvolvimento da linguagem, prejuízos no aprendizado e dificuldades de concentração, refletindo diretamente no desempenho escolar e nas relações familiares.
Sinais de alerta observados por profissionais
Psicólogos e pediatras recomendam atenção especial a comportamentos como irritabilidade constante, isolamento social, alterações no sono, dificuldade de atenção, agressividade e mudanças bruscas de humor. Esses sinais podem estar associados à exposição excessiva a estímulos digitais, principalmente quando não há supervisão ou limites definidos.
Outro ponto recorrente é o impacto no descanso. A utilização de telas por longos períodos, sobretudo à noite, interfere nos ciclos naturais do sono e afeta o equilíbrio emocional e o rendimento diário da criança.
O papel da família no uso da tecnologia
De acordo com especialistas, o problema não está no celular ou na tecnologia em si, mas no uso contínuo e desregulado como forma de entretenimento exclusivo ou como estratégia para manter a criança quieta. A substituição da presença afetiva por telas pode ser interpretada pela criança como ausência emocional, o que favorece quadros de ansiedade e insegurança.
Profissionais alertam que criança quieta no celular não é sinônimo de bem-estar. Em muitos casos, esse silêncio representa apenas uma pausa antes do surgimento de problemas emocionais mais graves.
Orientações para prevenção e cuidado
Entre as principais recomendações estão o estabelecimento de limites claros para o uso de telas, a criação de rotinas sem dispositivos eletrônicos, especialmente durante refeições e antes de dormir, além do incentivo a atividades ao ar livre, brincadeiras criativas e interação social.
A mediação ativa dos pais também é considerada fundamental. Assistir aos conteúdos junto com as crianças, conversar sobre o que é consumido e estimular o diálogo fortalecem o vínculo familiar e contribuem para o desenvolvimento emocional.
Especialistas reforçam ainda que o comportamento dos adultos serve de exemplo. O uso excessivo de telas pelos pais influencia diretamente os hábitos digitais das crianças.
Casos que envolvem sinais mais graves, como automutilação, agressividade intensa, isolamento prolongado ou prejuízos significativos no comportamento, exigem avaliação de profissionais especializados em saúde mental infantil.
O consenso entre especialistas é que o equilíbrio entre tecnologia, presença afetiva e limites claros é essencial para garantir o desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.
Com informações retiradas de Artigos científicos publicados nas revistas BMC Psychology e Journal of Adolescent Health; estudos indexados na base PubMed; levantamento nacional sobre saúde mental infantil nos Estados Unidos disponível no repositório científico arXiv; diretrizes da Associação Brasileira de Pediatria sobre uso de telas na infância.





