Levantamento aponta alta frequência de casos de violência contra mulheres em nove estados brasileiros. Mas os dados podem não representar a realidade, que tende a ser bem mais grave.
Da Redação | Cultura&Realidade
Um relatório divulgado na última sexta-feira (6) revela que, em média, 12 mulheres são vítimas de violência por dia em nove estados brasileiros monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança. Os dados fazem parte de um levantamento que analisou ocorrências registradas ao longo de 2025. Ou seja, a realidade pode ser ainda mais preocupante, visto que, possivelmente, a maioria das ocorrências não são registradas, nem divulgadas.
O estudo acompanha casos divulgados em meios de comunicação e registros públicos nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. A pesquisa aponta que a violência contra mulheres permanece como um problema estrutural no país, com episódios frequentes de agressões, ameaças e feminicídios.
Segundo os pesquisadores, o monitoramento diário permite identificar padrões e dimensionar a gravidade da violência de gênero. O levantamento reforça que muitos casos ocorrem dentro do ambiente doméstico ou são praticados por parceiros e ex-parceiros das vítimas, cenário recorrente nos registros desse tipo de crime.
Especialistas alertam que a violência contra a mulher costuma fazer parte de um ciclo progressivo de agressões, que pode começar com ameaças, evoluir para violência física ou psicológica e, em casos extremos, resultar em feminicídio.
No Brasil, a legislação prevê instrumentos específicos de proteção às vítimas, como a Lei Maria da Penha, que estabelece medidas de prevenção, punição e assistência a mulheres em situação de violência doméstica. Mesmo assim, organizações e pesquisadores defendem o fortalecimento das políticas públicas de proteção e a ampliação da rede de apoio às vítimas.
A divulgação do relatório ocorre às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, período em que campanhas e mobilizações costumam reforçar a necessidade de combater a violência de gênero e ampliar os mecanismos de denúncia e acolhimento.
Dados que assustam, divulgados pelo Senado da República
A violência doméstica no Brasil afeta milhões de mulheres, com cerca de 3,7 milhões sofrendo agressões em 2025. A maioria dos casos envolve parceiros ou ex-parceiros (52% a 78%) e ocorre em casa. A violência psicológica é a mais comum (89%), seguida de moral (77%) e física (76%). O país registrou mais de 1.400 feminicídios em 2024 e 2025, com 71% das agressões presenciadas por crianças.
Principais Indicadores e Dados Recentes (2025-2026)
Prevalência: Mais de 25,4 milhões de brasileiras relatam ter sofrido violência doméstica ao longo da vida.
Feminicídios: Em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios, indicando que a violência letal permanece alta, apesar de uma leve redução de 5,07% no total de mortes violentas em relação a 2023.
Aumento da Violência: Estudos indicam que 74% das mulheres percebem um aumento na violência doméstica nos últimos 12 meses.
Perfil do Agressor: A maioria das agressões (52%) é cometida por maridos ou companheiros, enquanto 15% envolvem ex-parceiros.
Recorrência: A violência é recorrente, com 58% dos casos ocorrendo nos últimos seis meses e 21% com duração superior a um ano.
Presença de Crianças: 71% das mulheres agredidas relataram que crianças estavam presentes, muitas vezes filhos do casal.
Violência Sexual: Registros de violência sexual aumentaram, com 961 casos em 2025, sendo que 56,5% das vítimas eram menores de 17 anos.
Desconfiança na Justiça: Apenas uma minoria das vítimas denuncia, segundo a percepção de 94% das mulheres que consideram o país machista.
Impacto Socioeconômico e Judicial
Processos: O Judiciário brasileiro tem mais de um milhão de processos ativos relacionados à violência doméstica, com mais de 5 mil casos de feminicídio.
Medidas Protetivas: 48% das mulheres que sofreram violência relataram o descumprimento de medidas protetivas de urgência.
Perfil das Vítimas: Mulheres pretas ou pardas sofrem com mais intensidade, representando 6,3% dos casos de violência grave, em comparação a 5,7% de mulheres brancas.
Com informações de Agência Brasil e da Assessoria de Comunicação do Senado da República Brasileiro.






