Relatos de complicações em atendimentos oftalmológicos no CEOM, durante mutirão em Irecê, já haviam sido denunciados por outros pacientes. Por meio da sua Ascom, empresa se manifesta em nota.
Da Redação | Cultura&Realidade
Um dos pacientes que perderam a visão após procedimento oftalmológico em Irecê morreu na noite da última terça-feira (31). Gilberto Pereira Pontes, de 72 anos, havia ficado cego dos dois olhos após atendimento realizado na Clínica Especializada em Oftalmologia de Irecê (CEOM).
De acordo com familiares, o paciente procurou a unidade para obter informações sobre a aplicação de medicamento antiangiogênico, mas acabou sendo submetido ao procedimento nos dois olhos sem a realização prévia de exames. A aplicação ocorreu no dia 28 de fevereiro e, já no dia seguinte, ele acordou sem enxergar, retornando à clínica.
Ainda segundo os relatos, Gilberto foi informado de que apresentava infecção nos olhos e recebeu indicação de tratamento com antibiótico. No entanto, devido à intensidade da dor, não conseguiu concluir a aplicação em um dos olhos. Familiares também relataram que outros pacientes teriam apresentado reações semelhantes durante o atendimento.
Após a perda da visão, o idoso passou a apresentar um quadro de depressão, conforme relato da família. A causa da morte ainda aguarda confirmação oficial por meio de atestado. O advogado que acompanha o caso, Joviniano Dourado, informou que aguarda o documento para inclusão das informações no processo. Ele também representa outros pacientes que relatam complicações semelhantes.
O caso ocorre em meio a denúncias envolvendo atendimentos realizados na CEOM no final de fevereiro. Relatos indicam que, além de Gilberto, pelo menos outras 15 pessoas teriam apresentado perda de visão após procedimentos oftalmológicos realizados na unidade.
As denúncias ganharam repercussão após serem levadas ao ar em programa de rádio local no início de março. Pacientes relataram dor intensa, desespero e incertezas quanto à recuperação.
Em nota oficial à imprensa, a unidade informou que realizou 643 procedimentos entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março de 2026, todos seguindo critérios médicos e com realização de exames prévios. Segundo o comunicado, foram registradas intercorrências em 24 pacientes, que passaram a receber acompanhamento contínuo da equipe assistencial.
A clínica destacou ainda que o tratamento com medicação antiangiogênica, aplicada por via intravítrea, é indicado para doenças graves da retina, como degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética. Informou também que os pacientes seguem em acompanhamento ativo, com assistência integral, e que parte deles apresenta evolução clínica considerada favorável.
No documento, o CEOM afirmou que realizou auditoria interna nos prontuários, com análise técnica dos atendimentos, e que os registros estão sendo organizados para acesso dos interessados. A unidade também declarou que as apurações seguem em andamento junto à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e aos órgãos de vigilância em saúde.
A clínica reforçou, por fim, seu compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência institucional e a adoção de medidas necessárias para o esclarecimento completo dos fatos.
Leia nota na íntegra:






