Caminhada espontânea e orgânica pró-Lula, realizada nesta sexta-feira (9) reuniu cantos, palavras de ordem e críticas à agenda bolsonarista para as políticas públicas e o Judiciário
Da Redação | Cultura&Realidade
“Trabalhador, olhe pra cá, estou aqui para seu filho estudar”. O chamado, acompanhado pelo conhecido “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”, marcou a caminhada de estudantes pelas ruas de Irecê, no final da tarde desta sexta-feira, 9 de outubro. Com esta energia, milhares de participantes se mobilizaram em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL).
A defesa do Estado de Direito Democrático, da educação e das políticas públicas de inclusão social esteve no centro da manifestação. Os estudantes associaram essas conquistas à ampliação de oportunidades para filhos de trabalhadores e à necessidade de enfrentar desigualdades históricas, cujas raízes remontam à colonização e à escravidão.

O ato expressou que o acesso à educação constitui instrumento de reparação social: permite que populações historicamente excluídas ampliem sua participação na produção do conhecimento, no trabalho e nas decisões sobre o futuro do país.
A caminhada também foi marcada por críticas ao bolsonarismo. Os manifestantes denunciaram o risco do que caracterizaram como um “golpe por dentro”: o uso do poder conquistado nas urnas e de uma maioria parlamentar para enfraquecer garantias democráticas, reduzir direitos e pressionar instituições, como o STF.
O debate encontra correspondência em declarações recentes de Flávio Bolsonaro. Em 7 de outubro, o candidato defendeu mudanças na Constituição por meio de propostas de emenda constitucional para promover reformas no Judiciário, alterar pontos da reforma tributária, reduzir a maioridade penal e encerrar a reeleição. Afirmou que a composição do novo Congresso favorece sua agenda e declarou que vai ter uma Câmara e um Senador favorável para fazer as mudanças e interferir no judiciário, inclusive, esta semana, pontuou a possibilidade de conseguir a anistia para o seu pai, nem que seja na força.
As preocupações dos estudantes também alcançaram o Supremo Tribunal Federal e as pressões contra Alexandre de Moraes. Na quarta-feira (7), o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado de Flávio, afirmou que o destino do ministro seria “impeachment e cadeia”. Por outro lado, o coordenador da campanha presidencial, Rogério Marinho, declarou que não haverá vingança contra o STF.
Em Irecê, a mobilização levou esses debates às ruas pela voz dos estudantes. Entre cantos e palavras de ordem, a mensagem central foi a defesa de uma educação capaz de abrir caminhos para as famílias trabalhadoras e de políticas públicas que ajudem a enfrentar as desigualdades brasileiras.





