Com atividades gratuitas em escolas estaduais de Irecê e Lapão, segunda edição do projeto valoriza saberes ancestrais e apresenta caminhos para transformar o bordado em fonte de renda, unindo arte, memória e economia criativa no sertão
DA REDAÇÃO | CULTURA&REALIDADE
Agulhas, linhas e tecidos se encontram com lembranças, identidade e possibilidades de geração de renda no projeto ABordar – 2ª Edição: Linhas do Tempo, que encerra seu ciclo de oficinas nesta quarta-feira, 4 de novembro, em Lapão. A última atividade está prevista para as 8h15, no Colégio Estadual Justiniano de Castro Dourado, com o tema “Bordado e Economia Criativa”.
Iniciada em 20 de outubro, a programação contempla também o Colégio Estadual Professor Jorge Rodrigues dos Santos, em Irecê, onde o terceiro e último encontro está marcado para esta terça-feira, 3, às 15h. Ao longo do percurso, a iniciativa aproxima o bordado contemporâneo da comunidade escolar, apresentando a arte têxtil como uma linguagem de expressão pessoal, valorização cultural e oportunidade de trabalho.
Idealizado pela Afoita Produções e pelo Casulo Criativis, o projeto propõe um novo olhar sobre uma prática transmitida entre gerações. O bordado aparece como uma arte capaz de incorporar experiências atuais, diferentes materiais e histórias de quem vive no território.
A formação foi organizada em três encontros sequenciais por cidade. O primeiro tem como ponto de partida as memórias e o sentimento de pertencimento; o segundo aprofunda técnicas e aplicações do bordado em diferentes superfícies; e o terceiro aborda noções de economia criativa, incluindo precificação, identidade do produto e posicionamento no mercado.
Essa etapa final amplia o alcance da formação: além de aprender a criar uma peça, as participantes têm contato com conhecimentos necessários para reconhecer o valor do próprio trabalho e compreender possibilidades de comercialização. A proposta é oferecer ferramentas iniciais para quem deseja aliar expressão artística e autonomia financeira.
As oficinas são voltadas prioritariamente a estudantes da rede pública estadual, mulheres, jovens, pessoas negras e pessoas LGBTQIAPN+. Segundo a organização, cada participante recebe gratuitamente um kit completo de materiais e uma apostila desenvolvida pela equipe do projeto.
Para a diretora do ABordar, Jai Bastos, a atividade reúne dimensões afetivas, culturais e econômicas. “O bordado contemporâneo é uma forma de dar voz ao que sentimos. Queremos que cada participante perceba que o saber ancestral que veio de nossos avós pode ser a chave para expressar sua identidade, suas vivências e, ao mesmo tempo, abrir caminhos reais para a autonomia financeira através da arte”, afirma.
Ao levar essa experiência às escolas públicas, o projeto cria espaço para que os saberes familiares dialoguem com a formação de novas gerações. As lembranças e referências do cotidiano tornam-se matéria-prima para peças autorais, aproximando criação artística e reconhecimento da história local.
Exposições e documentário darão continuidade ao projeto.
O encerramento das oficinas não representa o fim de todas as ações do ABordar. Conforme o release da organização, as peças produzidas serão apresentadas em exposições de encerramento ao longo de novembro, abertas à comunidade escolar e aos moradores de Irecê e Lapão.
Em Lapão a exposição acontecerá no dia 05 de novembro, no próprio colégio durante todo o turno da manhã. A exposição em Irecê acontecerá na praça Céu, com data prevista para o segunda quinzena de novembro.
O processo criativo e os depoimentos das participantes também estão sendo registrados para um documentário, com lançamento gratuito previsto na internet. A produção deverá ampliar o acesso às experiências e às histórias construídas durante os encontros.
O ABordar foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e execução do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura.
Entre a memória transformada em desenho e o aprendizado de como valorizar uma peça, o projeto destaca o potencial da arte para fortalecer identidades e abrir novas perspectivas no sertão baiano.





SERVIÇO
Última oficina: Bordado e Economia Criativa
Quando: quarta-feira, 4 de novembro, às 8h15
Onde: Colégio Estadual Justiniano de Castro Dourado, em Lapão
Redes sociais: @casulocriativis e @sou.afoita
Informações: [email protected]
Ficha Técnica Equipe:
Direção Geral: Jai Bastos
Coordenação de Produção: Uelisson Monteiro
Produção Executiva: Leonardo Souza
Assessoria de comunicação: Indira Lima
Assistência de Produção: Indira Lima e Danielle Paiva
Oficineiros: Jai Bastos, Jéssica Costa e Uelisson Monteiro
Registro Fotográfico e Audiovisual – Deusa Kárita





