Famílias ocupam terras improdutivas, produzem alimentos e impulsionam o debate sobre reforma agrária popular no país.
Da Redação | Cultura&Realidade
Movimentos camponeses da Colômbia têm intensificado a ocupação de terras improdutivas como estratégia de transformação social e produtiva no campo. As iniciativas articulam produção de alimentos, formação em agroecologia e organização coletiva, ampliando o debate nacional sobre a necessidade de uma reforma agrária popular.
No departamento de Cesar, famílias organizadas passaram a cultivar áreas que permaneciam sem função social. A ocupação possibilitou o início da produção de alimentos básicos, como mandioca e banana, além de práticas voltadas à recuperação do solo e das fontes de água, antes degradadas pela ausência de manejo adequado.
A organização das áreas segue um modelo que combina lotes familiares e espaços coletivos. Cada núcleo familiar é responsável por sua produção, enquanto parte do cultivo coletivo é destinada a um fundo comunitário, utilizado para fortalecer a infraestrutura local e dar continuidade às atividades agrícolas.
Mesmo com avanços produtivos e sociais, o processo ocorre em um cenário de tensão no campo. Lideranças relatam ameaças e pressões ligadas a interesses de grandes proprietários, evidenciando que a disputa pela terra ainda é um desafio central na realidade rural colombiana.
Para os camponeses, as ocupações simbolizam a construção de alternativas baseadas na soberania alimentar, no cuidado ambiental e no reconhecimento do campesinato como sujeito de direitos. As experiências reforçam a ideia de que a agroecologia pode ser um caminho viável para o desenvolvimento rural e para a redução das desigualdades históricas no acesso à terra.
No contexto político atual, a reforma agrária segue em debate na Colômbia. Movimentos sociais avaliam que, apesar de avanços institucionais, a mobilização popular continua sendo essencial para que políticas públicas se convertam em mudanças efetivas no campo.
Com informações de Brasil de Fato






