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Elmo Vaz: “Voto em Lula e serei um deputado de visão regionalista e municipalista”

REDATOR by REDATOR
20 de outubro de 2026
in ENTREVISTAS
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Home ENTREVISTAS
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Eleito deputado federal pela Bahia, ex-prefeito de Irecê fala sobre prioridades do mandato, futuro partidário e apoio a Lula no segundo turno presidencial

DA REDAÇÃO | CULTURA&REALIDADE

A eleição de Elmo Vaz à Câmara dos Deputados abre um novo capítulo na representação política do Território de Irecê. Após dois mandatos à frente da prefeitura do principal município da região, o engenheiro civil conquistou uma cadeira pelo Avante, com 65.558 votos, dos quais 20.099 vieram de Irecê. O resultado renova a expectativa de uma atuação parlamentar diretamente vinculada às demandas do território.

Natural de Ibititá, Elmo Vaz Bastos de Matos é formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia. Sua trajetória na administração pública inclui as funções de superintendente da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), diretor-geral da Superintendência de Construções Administrativas da Bahia (Sucab) e presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). Eleito prefeito de Irecê em 2016 e reeleito em 2020, governou o município de 2017 a 2024.

No período que sucede a disputa pelo Legislativo e antecede o segundo turno presidencial, o deputado eleito divide as atenções entre a organização do mandato, as conversas sobre seu futuro partidário e a mobilização pela reeleição do presidente Lula. Nesta entrevista ao Cultura&Realidade, defende o diálogo com diferentes forças políticas, aponta o abastecimento de água como prioridade regional e afirma que pretende planejar sua atuação ouvindo lideranças municipais e organizações da sociedade civil.

Cultura&Realidade — Sua eleição concretiza uma aspiração de várias gerações por uma representação do Território de Irecê na Câmara dos Deputados. Qual é a sensação neste momento?

Elmo Vaz — A sensação é de gratidão e, ao mesmo tempo, de muita responsabilidade por ter sido escolhido pelo povo de nossa região para representá-lo.

Cultura&Realidade — Você ficou satisfeito com o resultado eleitoral ou esperava receber mais votos?

Elmo Vaz — Quem é eleito não tem do que reclamar, só comemorar. Em uma eleição ganha, não importa a quantidade de votos. Quatorze candidatos a deputado federal tiveram votação superior à minha e não se elegeram.

Sou grato principalmente ao município de Irecê, que me deu uma votação histórica de mais de 20 mil votos, e isso não tem preço. Esse reconhecimento foi fruto de todo o trabalho que fiz ao longo dos meus dois mandatos. Por isso, terei a obrigação de ajudar principalmente a cidade de Irecê.

Fiz minha campanha repetindo que iria entregar a cada município o correspondente ao que cada um desse em votos proporcionais. O Território de Irecê foi responsável por 70% da minha eleição, e o município de Irecê, por 33%.

Cultura&Realidade — Encerrada a campanha do primeiro turno, como você avalia os demais resultados?

Elmo Vaz — Acredito que a vitória do governador Jerônimo e dos dois senadores do campo governista mostra que a maioria da população da Bahia aprovou e deseja a continuidade desse projeto de gestão.

Quanto à eleição nacional, os números falam por si. A pequena diferença entre Flávio e Lula mostra que a população ainda não tem uma definição clara sobre o que deseja. Sem dúvida, faltaram debates e clareza nas propostas, requisitos básicos para que o eleitor tome sua decisão.

Penso que os dois candidatos serão obrigados a deixar claro o que pretendem fazer nos próximos quatro anos. Isso fará toda a diferença na decisão da eleição.

Cultura&Realidade — Você fez uma campanha sem apoio maciço de prefeitos. Isso facilitará sua atuação, por ter menos compromissos políticos a atender?

Elmo Vaz — Não sei se todos sabem, mas um deputado recém-eleito não participa do orçamento impositivo no primeiro ano de seu mandato. Com a ajuda do partido e, principalmente, das emendas de bancada, terei algum recurso de emenda no meu primeiro ano.

As emendas do ano seguinte são indicadas no ano anterior. Ou seja, mesmo os deputados que não se reelegem têm recursos no ano seguinte.

Como os recursos do primeiro ano são menores, sem dúvida isso me alivia. Assim, poderei me planejar para os anos seguintes.

Cultura&Realidade — O alinhamento político com o governo federal pode facilitar a atuação de um deputado. Se Lula não for reeleito, seus planos mudarão?

Elmo Vaz — Serei deputado independentemente de quem seja o presidente eleito. Claro que estar no campo político de um presidente aliado facilita o acesso aos ministérios e órgãos federais. Acredito na vitória do presidente Lula e vou lutar por isso.

Cultura&Realidade — Você é aliado do governador Jerônimo Rodrigues e de seu grupo político na Bahia. Se Flávio Bolsonaro vencer, pretende fazer oposição ao governo federal?

Elmo Vaz — Não pretendo fazer oposição ao presidente. Entretanto, poderei me opor, de forma respeitosa, a toda e qualquer política que contrarie minhas convicções humanas, políticas e ideológicas, independentemente de quem seja o presidente.

É preciso lembrar que grande parte dos projetos de lei nasce do próprio Legislativo. Mas repito: não sou radical e acredito muito no diálogo e na capacidade de negociação.

Cultura&Realidade — Como você pretende atuar em uma Câmara com forte presença de parlamentares de direita e de extrema direita?

Elmo Vaz — Todos os deputados foram eleitos pelo voto popular, e isso se chama democracia. Não sou um sujeito radical. Converso com todos quando é necessário compor e sei conviver com as divergências.

Estou pronto para respeitar e ser respeitado. Manterei minhas convicções humanas, ideológicas e sociais e espero que isso não me atrapalhe na luta pelas causas em que acredito.

Serei um deputado de visão regionalista e municipalista. Não pretendo entrar de cabeça em pautas ideológicas. Quero ajudar minha região e os municípios que me ajudaram a chegar a Brasília. Claro que também buscarei contribuir, com minha experiência de prefeito, em pautas de interesse nacional e estadual.

Cultura&Realidade — Diante do desempenho do Avante em relação à cláusula de barreira, qual será seu destino partidário? Há alguma legenda definida?

Elmo Vaz — Estamos conversando com diversos partidos. Minha decisão será tomada em conjunto com os deputados federais e estaduais e com o presidente estadual, Ronaldo Carletto. Estamos unidos nessa decisão, que será tomada até o final do mês.

Temos três opções: nos filiarmos a um novo partido que tenha atendido à cláusula de barreira, fazer uma federação com um ou mais partidos ou fazer uma fusão com alguma legenda.

Vamos optar pela decisão que nos traga a maior vantagem do ponto de vista político-partidário, respeitando os princípios ideológicos de cada um.

Cultura&Realidade — Quais são os próximos passos do deputado eleito Elmo Vaz?

Elmo Vaz — Conhecer o funcionamento da Câmara e seu regimento, cuidar de toda a parte burocrática para iniciar o mandato e, em seguida, sentar com as lideranças dos municípios que me elegeram.

Da mesma forma, quero conversar com entidades e instituições da sociedade civil com as quais me identifico, para ouvi-las e planejar o mandato. Antes de tudo, porém, temos de resolver a questão partidária.

Cultura&Realidade — Já existe alguma pauta regional definida como prioridade para o início do mandato?

Elmo Vaz — Contribuir para o início das obras de ampliação do sistema de abastecimento de água do São Francisco, junto à Embasa e ao governo do estado.

Cultura&Realidade — Você apoia Lula, enquanto Augusto Cury, que disputou a Presidência pelo Avante, declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Essa diferença poderá lhe trazer problemas?

Elmo Vaz — Na Bahia, o Avante, por meio do nosso presidente estadual, Ronaldo Carletto, declarou apoio a Lula desde o primeiro momento. Minha opção pessoal por votar e pedir votos para Lula é inegociável.

Não sou petista nem lulista. Sou mais Brasil e menos imposição externa. Por mais que os programas sociais, como o Bolsa Família, necessitem de uma revisão profunda, eles não podem acabar. Infelizmente, somos um país pobre.

Bolsonaro, quando foi presidente, retirou todos os recursos para pesquisa e tentou acabar com as universidades públicas, deixando-as sem verbas. Sei que muita coisa precisa ser revista em um eventual quarto governo Lula, mas o risco de termos nossa democracia e nossa soberania abaladas já me faz ter certeza de que a melhor opção para o Brasil, neste momento, é votar em Lula.

Com maioria no Senado e na Câmara, Flávio e a direitona já ganharam poder suficiente para interferir em todas as decisões que teremos de tomar daqui para a frente.

Concentrar todo o poder nas mãos de um único grupo político é muito arriscado, principalmente com todo o histórico da família Bolsonaro. É hora de termos juízo e prudência.

Tags: BahiaBrasildestaqueElmo VazIrecêIrecê e RegiãoLulaRegião de Irecê
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