A queda no consumo entre jovens pressiona o mercado de bebidas alcoólicas e impulsiona setores ligados à saúde, bem-estar e performance.
Da Redação | Cultura&Realidade
A indústria global de bebidas alcoólicas atravessa um período de reconfiguração impulsionado pela mudança de comportamento das gerações mais jovens. Entre 2018 e 2022, o setor perdeu mais de US$ 830 bilhões em valor de mercado, refletindo a redução do consumo entre jovens adultos e o fortalecimento de estilos de vida voltados à saúde, ao bem-estar e à performance física e mental.
O número refere-se à desvalorização de mercado das principais empresas do setor, calculada a partir da queda na capitalização bursátil, e não apenas à retração direta nas vendas. Analistas avaliam que o movimento traduz expectativas mais cautelosas quanto ao crescimento futuro da indústria diante de um consumidor mais seletivo.
Pesquisas internacionais indicam que a Geração Z apresenta uma relação significativamente diferente com o álcool. Nos Estados Unidos, o consumo entre jovens de 18 a 25 anos caiu cerca de 25% na última década. No Reino Unido, aproximadamente 45% dos jovens afirmam não consumir bebidas alcoólicas, percentual bem superior ao registrado entre gerações anteriores. Mesmo entre aqueles que bebem, o volume consumido é menor, com estimativas apontando que jovens da Geração Z ingerem até 87% menos álcool do que grupos etários mais velhos.
A mudança está diretamente relacionada a prioridades distintas. Estudos globais apontam que cerca de 65% da Geração Z coloca saúde e bem-estar entre as três principais prioridades de vida, à frente de carreira e relacionamentos. Nesse contexto, o álcool passou a ser associado a efeitos negativos, como queda de desempenho, aumento da ansiedade no dia seguinte, perda de produtividade e incompatibilidade com a busca por longevidade.
Enquanto o mercado de bebidas alcoólicas enfrenta retração, setores ligados ao autocuidado registram crescimento acelerado. O mercado global de wellness e fitness deve alcançar cerca de US$ 434 bilhões até 2028, impulsionado pelo aumento da procura por academias, aplicativos de meditação, plataformas de monitoramento do sono e produtos de suplementação, que crescem a taxas superiores a 15% ao ano em alguns segmentos.
Diante desse cenário, grandes grupos do setor alcoólico têm adotado estratégias de adaptação, com investimentos em versões sem álcool, bebidas funcionais e aquisições de marcas associadas a hábitos considerados mais saudáveis. O movimento indica uma tentativa de reposicionamento frente a um consumidor que não abandonou completamente o consumo, mas passou a fazer escolhas alinhadas a um estilo de vida orientado à saúde e à performance.
Especialistas avaliam que a transformação é geracional e tende a se consolidar ao longo dos próximos anos. Diferentemente de gerações anteriores, a socialização da Geração Z não está centrada no consumo de álcool, mas em práticas associadas ao autocuidado, à saúde mental e à construção de identidade no ambiente digital.
Informações de Movendi International; Wine Intelligence; McKinsey & Company; Financial Times; Investing.com; BP Money; relatórios de mercado financeiro com base na capitalização global da indústria de bebidas alcoólicas.





