– Projeto idealizado pelo neurologista Adilson Galvão chega à sexta edição e consolida estratégia de interiorização da medicina das doenças raras –
Da Redação I Cultura&Realidade
Durante anos, o diagnóstico de doenças raras esteve associado à distância dos grandes centros, à escassez de especialistas e à dificuldade de acesso a informações qualificadas. Foi para enfrentar parte desse cenário que nasceu, em 2025, o Sertão Raras, iniciativa idealizada pelo neurologista Adilson Galvão, com a proposta de levar atualização científica, discussão de protocolos e conhecimento especializado para profissionais de saúde do interior.
Mais do que uma jornada médica convencional, o projeto vem construindo uma metodologia que aproxima capacitação, diagnóstico e atendimento aos pacientes.
A primeira edição ocorreu em Souto Soares, em abril de 2025. Depois, o projeto passou por Iraquara, Seabra e novamente Iraquara, consolidando quatro jornadas naquele primeiro ano.
Em abril de 2026, a quinta edição ampliou o raio de atuação para João Dourado e Irecê, reunindo profissionais de saúde, especialistas e população. A programação incluiu painéis científicos, atividades práticas, discussão de doenças genéticas e raras e realização de testes genéticos.
Em agosto, o Sertão Raras voltou a Iraquara para sua sexta edição, confirmando a continuidade de uma iniciativa que passou a circular pelo território e a aproximar o conhecimento especializado de regiões historicamente afastadas dos grandes centros médicos.
A lógica do projeto é simples, mas enfrenta um problema complexo: quanto mais cedo uma doença rara é reconhecida, maiores podem ser as possibilidades de investigação, acompanhamento e tratamento adequado. Por isso, a formação dos profissionais que estão na ponta do sistema de saúde ocupa lugar central na proposta.
As jornadas reúnem especialistas, médicos e outros profissionais para discutir sinais clínicos, protocolos, diagnóstico diferencial e doenças que, muitas vezes, permanecem durante anos sem identificação. Ao mesmo tempo, a iniciativa busca aproximar o paciente da assistência especializada.
Essa combinação — levar conhecimento ao profissional e aproximar o especialista do paciente — é o que dá ao Sertão Raras uma dimensão que ultrapassa a realização de eventos científicos. Além dos especialistas e pacientes, o projeto conecta jovens acadêmicos de medicina e outras formações.
Em pouco mais de um ano, seis edições ajudaram a estabelecer uma agenda permanente de discussão sobre doenças raras no interior baiano. E a escolha dos municípios também revela uma característica importante do projeto: o conhecimento não parte apenas dos grandes centros para o sertão. Ele passa a ser construído e compartilhado dentro do próprio território.
O Sertão Raras, assim, começa a se consolidar como uma experiência de interiorização da medicina especializada — transformando cidades do interior em espaços de ciência, formação profissional, diagnóstico e cuidado. Um marco histórico, foi a realização da primeira biópsia de pele para investigação e confirmação diagnóstica de neuropatia de fibras finas, ocorrida na edição realizada em João Dourado.
GALERIA SERTÃO RARAS EM IRAQUARA-BA





BOX | O protagonista
ADILSON GALVÃO
O neurologista que transformou uma inquietação médica em movimento científico

Idealizador, chairman e coordenador científico do Sertão Raras, o neurologista Adilson Galvão ocupa posição central na construção da iniciativa. Sua atuação está ligada à neurologia e às doenças raras, área em que o diagnóstico precoce representa um dos principais desafios para pacientes, famílias e profissionais de saúde.
Ao criar o Sertão Raras, Galvão colocou uma questão regional no centro da agenda científica: como fazer com que o conhecimento produzido nos grandes centros chegue também ao profissional que atende no interior? A resposta foi construir uma jornada itinerante, levando especialistas e atualização médica para diferentes municípios e, simultaneamente, aproximando pacientes da investigação especializada.
A estratégia combina capacitação profissional, discussão de protocolos, apresentação de casos, atividades práticas e ações voltadas ao diagnóstico. Em 2026, essa metodologia ganhou uma dimensão ainda mais concreta em João Dourado e Irecê, onde a programação incluiu testes genéticos e atendimento à população.
O papel de Galvão, portanto, não se limita à participação como palestrante ou especialista convidado. Como chairman e coordenador científico, ele está na concepção e na condução da proposta que transformou o Sertão Raras em uma agenda itinerante de ciência e saúde.
A sexta edição, realizada em Iraquara, em agosto de 2026, é mais um capítulo dessa trajetória. De uma inquietação médica nasceu um movimento que pretende fazer do interior não apenas um lugar onde se busca atendimento, mas também um lugar onde o conhecimento especializado chega, circula e produz novas possibilidades de cuidado.




