Exame feito a partir de amostra de fezes amplia o rastreamento e busca identificar a doença antes do aparecimento de sintomas
Da redação | Cultura&Realidade
O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a adotar um novo protocolo nacional para o rastreamento do câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino. A estratégia utiliza o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), exame realizado a partir de uma amostra de fezes capaz de identificar pequenas quantidades de sangue oculto, que não podem ser percebidas a olho nu. A medida pode ampliar o acesso à prevenção e à detecção precoce para mais de 40 milhões de brasileiros.
O novo rastreamento é destinado a homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas e são considerados de risco padrão. Para esse público, a recomendação é realizar o teste a cada dois anos.
A novidade chama atenção pela simplicidade. A coleta pode ser feita em casa, utilizando um kit específico, e depois o material é encaminhado para análise. O exame não exige preparo intestinal nem dieta restritiva, o que pode facilitar a participação da população no rastreamento.
O FIT identifica sinais de sangue nas fezes que podem estar relacionados à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino. Segundo o Ministério da Saúde, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.
Resultado positivo não significa câncer
Um resultado positivo no FIT não significa que a pessoa esteja com câncer. O teste funciona como uma ferramenta de rastreamento. Quando é identificada a presença de sangue oculto, o paciente deve ser encaminhado para uma investigação complementar.
Nesses casos, a colonoscopia é utilizada para avaliar o intestino e identificar possíveis alterações. Durante o procedimento, também pode ser possível retirar pólipos, evitando que algumas dessas lesões evoluam para um tumor.
É justamente nessa etapa que a prevenção ganha importância. O câncer colorretal pode se desenvolver a partir de pólipos inicialmente benignos. Identificar essas alterações antes que elas avancem aumenta as possibilidades de tratamento e pode evitar o desenvolvimento da própria doença.
Câncer colorretal preocupa no Brasil
A mudança chega em um cenário que exige atenção. O câncer colorretal está entre os tipos de câncer mais frequentes no país. Para cada ano do triênio 2026 a 2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 53,8 mil novos casos de câncer de cólon e reto no Brasil.
Apesar dos números, a doença pode apresentar melhores possibilidades de tratamento quando identificada precocemente. O desafio está justamente em encontrar alterações antes que elas provoquem sintomas ou evoluam para estágios mais avançados.
A facilidade do novo exame pode contribuir nesse processo. Um teste que não exige preparo intestinal, pode ser coletado em casa e é menos invasivo pode reduzir algumas das barreiras que afastam a população dos exames preventivos.
É importante, no entanto, não confundir rastreamento com investigação de sintomas. O novo protocolo é destinado a pessoas que não apresentam sinais da doença. Quem tiver sintomas ou alterações persistentes deve procurar atendimento de saúde para avaliação, independentemente da idade.
Entre os sinais que merecem atenção estão sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, dor ou desconforto abdominal, perda de peso sem explicação, fraqueza e anemia.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a principal porta de entrada para o atendimento no SUS. A partir da avaliação, os pacientes que se enquadram nos critérios podem receber orientação sobre o rastreamento e, quando necessário, serem encaminhados para outros exames e serviços da rede.
Mais do que a chegada de um novo exame, a adoção do FIT representa uma tentativa de tornar a prevenção do câncer colorretal mais acessível. Descobrir uma alteração antes que ela evolua pode fazer diferença no tratamento e, principalmente, aumentar as chances de preservar vidas.
Com informações do Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Câncer (INCA).





