– Há razões para crer na eleição de Lula no primeiro turno; já na Bahia, a fatura por todos os ângulos que se apresenta, Jerônimo deverá renovar o mandato, sem delongas, já neste dia 4 de outubro, até, no máximo, 20h –
Opinião I Cultura&Realidade – Por João Gonçalves
Opinião é opinião. Nasce da leitura dos fatos, mas também carrega memória, desejo e uma ideia de futuro. A minha, nesta eleição, não esconde de onde vem: quero um Brasil em que a política olhe primeiro para quem mais precisa. E acredito que esse sentimento pode dar a Lula a vitória já no primeiro turno.
Não ignoro as pesquisas, nem a força de seus adversários. A disputa está aberta. Mas eleição também acontece fora das planilhas. Acontece na conversa depois do trabalho, na conta feita à mesa de casa, na lembrança do que melhorou e do que ainda falta melhorar. É nesse encontro entre experiência e esperança que deposito minha aposta.
O Brasil conhece bem a desigualdade. Ela atravessa nossa história desde a escravidão e continua presente na vida de famílias que trabalham muito e, ainda assim, precisam escolher qual despesa pagar primeiro. Por isso, ao comparar projetos de governo, considero decisivo perguntar: quem terá prioridade quando chegar a hora de decidir? O mercado encontrará sempre quem defenda seus interesses. O povo pobre precisa de um Estado que reconheça os seus.
É também por essa medida que me afasto do projeto político da família Bolsonaro. Rejeito sua maneira de tratar as instituições e a vida democrática. Há eleitores de boa-fé que pensam diferente de mim e aqueles que são tranqueira da estupidez humana; respeito seu direito de escolha. O que peço é que comparem propostas, trajetórias e consequências, sem deixar que o barulho das redes substitua a reflexão.
Vejo manifestações de apoio a Lula nas ruas e nas telas. Elas me animam, embora eu saiba que comentários não são votos e entusiasmo não é pesquisa. O resultado dependerá de muita gente que ainda escuta, pondera e pode mudar de ideia. Minha esperança é que essas pessoas enxerguem na democracia e na atenção aos mais vulneráveis razões suficientes para decidir.
Escrevo do Nordeste, da Bahia, do Território de Irecê. Daqui, o futuro do país nunca parece uma questão distante. Ele passa pela escola, pelo alimento, pela água, pela oportunidade de trabalhar e pela tranquilidade de envelhecer com dignidade. Quando penso no Brasil que desejo, penso nessas vidas concretas.
Talvez minha convicção vá além do que os números permitem afirmar hoje. Reconheço isso sem constrangimento. Este é um artigo de opinião, escrito com consciência política, sentimento e torcida. Ainda assim, sustento minha aposta: se a maioria fizer suas contas olhando também para a vida do próximo, Lula poderá reunir os votos necessários já no primeiro turno.
Eu acredito que reunirá.
Ah, e na Bahia? Aqui não tem mais eleição. Já está definido. Jero no primeiro turno.
Oxalá!






