Com 55 mil votos em 2022, deputado chega à nova eleição apoiado por uma rede política mais ampla; três cenários projetam sua reeleição com votação entre 85 mil e 105 mil votos
DA REDAÇÃO | Cultura & Realidade
Em 2022, Ricardo Rodrigues (PSD) foi eleito deputado estadual com 55.031 votos. Para 2026, entretanto, o cenário político do parlamentar é diferente. Além de manter sua principal base no Território de Irecê, onde obteve 40.037 votos na eleição anterior, Ricardo ampliou sua presença para outros municípios e passou a contar com o apoio de prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos e vereadores que não integravam sua estrutura eleitoral de 2022. É essa expansão — somada ao desempenho histórico do deputado e à composição da chapa do PSD — que torna possível projetar uma votação significativamente superior à anterior.
Uma expansão construída ao longo do mandato
A ampliação das bases de Ricardo Rodrigues não aparece apenas como resultado de articulações eleitorais recentes. Ela se desenha a partir de uma atuação política e institucional construída ao longo do mandato, marcada pela presença constante do deputado nos municípios e pela articulação de demandas, investimentos e ações junto às administrações municipais e lideranças locais.
Nesse percurso, o parlamentar ampliou sua rede de relações políticas e passou a contar, em diferentes municípios, com o apoio da maioria de prefeitos, vice-prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças de expressão regional.
O movimento é particularmente relevante porque combina presença territorial, atuação institucional e construção de alianças políticas. Em vez de uma candidatura que retorna às bases de 2022 apenas no período eleitoral, Ricardo chega a 2026 tendo percorrido, ao longo da legislatura, diferentes municípios e consolidado relações políticas que não estavam presentes em sua campanha anterior. Essa trajetória ajuda a explicar por que a expansão identificada atualmente pode ter peso eleitoral maior do que uma simples ampliação do número de municípios visitados.
Nos bastidores da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) e dentro do próprio PSD, a avaliação que começa a ganhar força é de que Ricardo Rodrigues poderá figurar entre os candidatos mais bem votados da próxima eleição estadual. Trata-se, naturalmente, de uma aposta política — e não de uma previsão de resultado —, mas ela encontra respaldo na ampliação da rede de apoio construída pelo parlamentar e na expectativa de crescimento de sua votação.
Novas bases: exemplos que já podem ser identificados
Gentio do Ouro é um dos casos mais expressivos. Em 2022, Ricardo obteve apenas 81 votos, equivalentes a 1,11% dos votos válidos do município. Na eleição de 2026, o cenário é outro: o prefeito Cição declarou publicamente apoio à reeleição do deputado, acompanhado do vice-prefeito e de vereadores.
Em Canavieiras, no Sul da Bahia, a relação também ganhou dimensão política e institucional. Ricardo passou a atuar junto ao prefeito Paulo Carvalho e a vereadores, articulando investimentos para o município. Em 2026, o prefeito aparece declarando apoio ao deputado, enquanto Ricardo recebeu o Título de Cidadão Canavieirense.
Ipupiara representa outro movimento relevante. Ricardo esteve próximo do grupo político liderado pelo então prefeito Ascir Leite e participou da articulação que envolveu a sucessão municipal. A relação permanece ativa, com novas agendas e articulações junto às lideranças locais.
Em Brotas de Macaúbas, a presença também se consolidou durante o mandato, com articulação de investimentos, obras e ações institucionais. Em 2026, o município aparece entre os pontos de atuação do parlamentar, inclusive com recursos destinados à infraestrutura.
Não se trata, portanto, apenas de uma ampliação geográfica de agendas. Em vários municípios, há estrutura política local associada à candidatura, o que é eleitoralmente mais relevante.
Um levantamento publicado no final de 2025 apontava Ricardo com presença política direta em 42 municípios e apoio de 18 prefeitos, além dos 294 municípios onde recebeu votos em 2022.
O que isso representa em votos?
Em 2022, os 55.031 votos foram suficientes para eleger Ricardo, dentro de uma chapa do PSD que somou aproximadamente 1,11 milhão de votos e conquistou nove cadeiras na Assembleia Legislativa. A chapa de 2026 é diferente. O PSD reúne 17 candidatos e apresenta nomes competitivos, enquanto também incorporou novas forças eleitorais.
Nossa estimativa anterior coloca o partido, em um cenário intermediário, na faixa de 950 mil a 1,05 milhão de votos, podendo superar esse patamar em uma conjuntura favorável. É nesse ambiente que a votação individual de Ricardo precisa ser observada.
Três cenários para 2026
85 mil votos — reeleição provável
Seriam quase 30 mil votos a mais que em 2022, crescimento de 54,5%. Com o PSD próximo de 1 milhão de votos e disputando sete ou oito cadeiras, Ricardo estaria em posição bastante competitiva dentro da chapa. 85 mil votos já representariam uma mudança importante de patamar eleitoral.
95 mil votos — reeleição muito provável
O crescimento chegaria a 72,6% sobre 2022. Nesse nível, Ricardo passaria a disputar as posições superiores da chapa do PSD. Mantida a legenda na faixa projetada, sua situação eleitoral seria bastante confortável. 95 mil votos significariam, na prática, a consolidação de uma candidatura estadual de forte densidade eleitoral.
105 mil votos — elevada segurança eleitoral
Aqui Ricardo praticamente dobraria sua votação anterior, alcançando crescimento de 90,8%. Seria uma votação próxima daquela obtida por alguns dos principais candidatos do PSD em 2022 e colocaria o parlamentar, potencialmente, entre os nomes mais competitivos da legenda. 105 mil votos representariam uma candidatura de primeira linha dentro da chapa.

O dado mais importante
A questão não é apenas quanto Ricardo poderá crescer onde já era forte. É saber quanto poderá acrescentar sem perder a votação que já possuía. Esse é o elemento que diferencia crescimento real de simples transferência de votos.
Os sinais observados até aqui apontam para uma expansão territorial da sua rede política. Gentio do Ouro, Canavieiras, Ipupiara e Brotas de Macaúbas são exemplos diferentes de um mesmo movimento: o deputado passou a estabelecer relações políticas e institucionais mais amplas fora de sua base eleitoral original.
Essa expansão, por sua vez, está associada a uma atuação que se desenvolveu ao longo de todo o mandato, com presença frequente nos municípios, articulação institucional e aproximação com prefeitos, ex-prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças.
Isso não permite transformar apoio político automaticamente em votos — prefeitos, ex-prefeitos e vereadores não controlam integralmente o voto dos eleitores. Mas permite afirmar que a estrutura eleitoral de Ricardo para 2026 é mais ampla e robusta do que aquela com que disputou 2022.
É justamente essa combinação entre a manutenção da base original e a incorporação de novas forças políticas que dá sustentação à expectativa de uma votação próxima ou superior ao dobro da anterior.
A conclusão
Com 85 mil votos, Ricardo já estaria em situação competitiva e, considerando uma votação do PSD próxima de 1 milhão, com boas perspectivas de reeleição. Com 95 mil, a margem de segurança aumenta significativamente. Com 105 mil, a discussão provavelmente deixaria de ser apenas sobre a possibilidade de reeleição e passaria a envolver a posição de Ricardo entre os candidatos mais votados do PSD e da própria Assembleia Legislativa da Bahia.
A percepção que circula nos bastidores da Alba e entre setores do PSD reforça essa leitura: a aposta é de que Ricardo Rodrigues poderá estar entre os nomes mais bem votados da eleição para deputado estadual em 2026. Essa avaliação, entretanto, deve ser entendida como percepção política decorrente da expansão de suas bases e não como previsão estatística de resultado.
Naturalmente, nenhuma dessas projeções é garantia de resultado. A eleição proporcional depende da votação total do partido, do quociente eleitoral e da distribuição das cadeiras. Mas os dados disponíveis permitem uma conclusão objetiva:
Ricardo Rodrigues chega a 2026 com uma estrutura eleitoral mais ampla que a de 2022. Se a expansão das bases políticas identificada nos últimos anos se converter em votos, a hipótese de uma votação entre 85 mil e 105 mil não é apenas possível: é compatível com a trajetória observada do parlamentar. A urna, no entanto, é que definirá o tamanho desse crescimento — e o lugar de Ricardo Rodrigues na próxima composição da Assembleia Legislativa da Bahia.
Análise elaborada pelo Cultura & Realidade com base em resultados eleitorais públicos, registros institucionais e publicações sobre a atuação política do parlamentar. As projeções são cenários analíticos, não pesquisa eleitoral nem previsão estatística de resultado.





