Com curadoria de Jirreh Oliveira, principal entusiasta do encontro, evento acontece em 16 de outubro, na Praça do Calçadão, em Irecê, com cortejo, música, capoeira, reisado e feira de artesanato
DA REDAÇÃO | CULTURA&REALIDADE
O colorido dos folguedos, o ritmo dos batuques e a força das tradições populares vão ocupar as ruas de Irecê na próxima sexta-feira, 16 de outubro. Com o tema “Brincar e salvaguardar a cultura viva”, o III Festival Bumba Meu Boi reunirá artistas e grupos culturais do território em uma programação que começa às 16h, com cortejo pelas principais ruas da cidade, e segue na Praça do Calçadão.
O encontro propõe celebrar a cultura popular e fortalecer as condições para sua continuidade. Ao reunir diferentes expressões em um mesmo espaço, o festival valoriza seus protagonistas e aproxima o público dos saberes, ritmos e brincadeiras que atravessam gerações.
Nesse movimento, destaca-se Jirreh Oliveira, curador e principal entusiasta do evento. Sua contribuição está na disposição de reunir pessoas e dar visibilidade às manifestações que constituem a memória cultural da região. A curadoria assume, assim, uma tarefa que vai além da escolha das atrações: construir um encontro no qual diferentes grupos possam compartilhar suas práticas e ser reconhecidos pela comunidade.
O festival expressa a importância desse trabalho de mobilização. Para que a cultura popular permaneça viva, são necessários espaços de apresentação, participação das novas gerações e reconhecimento de quem preserva e renova suas tradições. É nessa ligação entre artistas, brincantes e público que a atuação de Jirreh ganha relevância.
Após o cortejo de abertura, a Filarmônica 23 de Agosto de Irecê se apresentará às 17h. Às 17h30, a roda de capoeira reunirá a Escola de Arte Cultura, Esporte Maculelê e Samba de Roda, a Associação AME Capoeira de Irecê, o Grupo de Capoeira Liberdade de São Gabriel e o Conselho Regional de Capoeira.
Às 18h, será a vez do professor Célio Rodrigues, acompanhado pelos músicos da Oficina de Percussão Neura Batuque, de Irecê. Na sequência, às 18h30, a programação receberá grupos de reisado de Uibaí, São Gabriel e o Casal I, de Lapão. Às 19h, haverá apresentação do Grupo Arte em Movimento, de São Gabriel.
Um dos momentos centrais da noite está marcado para as 19h30, com o Cultura Viva Sertão, reunindo Bumba Meu Boi, Mulinha de Ouro, Bonecos Gigantes, os Caretas e Bicho dos Umbus. Às 20h, a programação musical terá Ney Lagoa, Claudinho do Acordeon e Trio Pé de Serra.
O encontro também contará com a Feira de Artesanato do Instituto Cabaça, que acontecerá em dois dias: na sexta-feira, 16, das 8h às 22h, e no sábado, 17, das 8h às 13h. A iniciativa ampliará o espaço de valorização do trabalho artesanal, da cultura local e da economia solidária.
Conforme o material de divulgação, o festival tem produção do Jirreh Sertão, apoio cultural do Girassol, Instituto Cabaça e Prefeitura de Irecê, além de apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura. A divulgação também apresenta o Sistema Nacional de Cultura, a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e o Ministério da Cultura.
Ao chegar à terceira edição, o Festival Bumba Meu Boi convida Irecê a reconhecer sua riqueza cultural nas pessoas que cantam, dançam, tocam, confeccionam e mantêm suas brincadeiras. O chamado estampado na programação traduz o espírito do encontro: “Nossa cultura segue viva!”
BOX | O que é o Bumba Meu Boi?
O Bumba Meu Boi é uma manifestação da cultura popular brasileira que reúne música, dança, teatro, personagens e saberes artesanais em torno da figura de um boi. Ligado a influências indígenas, africanas e europeias, o folguedo ganhou diferentes formas de expressão nas comunidades que o praticam.
Uma de suas narrativas mais conhecidas conta a história de Catirina e Pai Francisco. Grávida, Catirina deseja comer a língua de um boi. Para atender ao pedido, Francisco mata o animal preferido do patrão. A descoberta provoca um conflito, resolvido com o renascimento do boi, celebrado pelos participantes da brincadeira. O enredo apresenta variações entre os grupos.
A manifestação envolve também conhecimentos transmitidos entre gerações, como a confecção de indumentárias, os ritmos, as toadas e a organização coletiva das celebrações. No Maranhão, onde possui forte presença, o Complexo Cultural do Bumba Meu Boi foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Iphan, em 2011, e como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco, em 2019. Esses títulos referem-se especificamente ao complexo cultural maranhense.













