Educação quilombola, gestão ambiental, sustentabilidade no semiárido e inclusão social integram a programação da sétima edição, com perspectivas para 2030
DA REDAÇÃO | CULTURA&REALIDADE
Como transformar a sustentabilidade em benefícios concretos para quem vive no Território de Irecê? Essa questão aproxima os temas do VII Congresso Multidisciplinar da Faculdade Irecê (FAI), cuja programação para os dias 28 e 29 de outubro de 2026 colocou em pauta a relação entre economia, meio ambiente e inclusão social.
Com o tema “Economia verde no âmbito regional: perspectivas para 2030”, o encontro foi organizado pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão da instituição (Nupex). A proposta conectou a formação acadêmica a experiências e desafios regionais, levando para o debate caminhos de desenvolvimento comprometidos com a conservação ambiental e as condições de vida da população.
Entre os destaques da programação divulgada, Eloisa Mendes foi anunciada para apresentar, no dia 28, a experiência da primeira escola quilombola Lixo Zero do país. A referência é a Escola Municipal Quilombola Anísio Teixeira, na comunidade de Lagoa Nova, em Irecê, cuja trajetória demonstra como educação ambiental, identidade cultural e participação comunitária podem caminhar juntas.
A experiência ganhou projeção nacional com iniciativas de compostagem, reciclagem de papel, reaproveitamento de materiais e produção de sabão a partir de óleo usado. Segundo registro do Movimento LED, a escola conquistou a certificação Lixo Zero em 2023, desviando mais de 90% dos resíduos do aterro. O projeto também foi reconhecido pelo Prêmio LED 2025, na categoria empreendedores.
Mais do que melhorar a destinação do lixo, o trabalho associou o aprendizado à valorização das origens dos estudantes, com história quilombola no currículo, hortas e participação das famílias. A experiência oferece uma referência local para discutir uma economia que aproveite melhor os recursos e reconheça os conhecimentos das comunidades.
Também no dia 28, o folder apresentou Graziela Santos com o tema “Contribuições do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável do Território de Irecê no âmbito da gestão ambiental”. Identificada pela Federação dos Consórcios Públicos da Bahia como secretária-executiva do CDS Irecê, Graziela representa uma estrutura de cooperação entre municípios voltada ao desenvolvimento regional integrado. A atuação consorciada permite articular recursos e políticas para necessidades compartilhadas pelo território.
Para o dia 29, a programação anunciou Edimário Machado com a abordagem “Desenvolvimento sustentável: um problema central no semiárido baiano”. Presidente da União Municipal em Benefício de Uibaí (UMBU), Edimário tem uma trajetória ligada à defesa da Caatinga, à organização comunitária e à recuperação ambiental.
Entre as iniciativas associadas à sua atuação está a restauração florestal da Grota do Mané José, em Uibaí. Sua defesa de práticas produtivas que conciliem conservação, agricultura familiar e oportunidades para os jovens aproxima o tema do congresso das escolhas concretas sobre o futuro regional.
A dimensão social também ganhou espaço no folder, com July Mendes e o tema “Assistência Social e Economia Verde: estratégias para não deixar ninguém para trás”. A abordagem introduz uma questão decisiva: a transformação ambiental precisa considerar quem acessa suas oportunidades e como seus benefícios chegam às populações mais vulneráveis.
A programação de minicursos ampliou esse diálogo entre diferentes áreas do conhecimento. Entre as atividades divulgadas estavam aproveitamento integral dos alimentos, adequação ambiental de empresas em Irecê e tecnologias sustentáveis para o diagnóstico de parasitos em pequenos ruminantes, além de capacitações em saúde e outras áreas profissionais.
Ao reunir essas perspectivas, a pauta do congresso aproxima a economia verde do cotidiano regional: os resíduos da escola, a gestão compartilhada dos municípios, a conservação da Caatinga e as oportunidades de trabalho e renda. É nesse encontro entre conhecimento, políticas públicas e participação comunitária que as perspectivas para 2030 podem ganhar sentido para o Território de Irecê.






