Experiência técnica e administrativa do candidato reúne credenciais para transformar demandas regionais em uma agenda permanente na Câmara dos Deputados
ANÁLISE EDITORIAL | CULTURA&REALIDADE
O Território de Irecê chega ao encerramento da campanha de 2026 diante de uma oportunidade que ultrapassa a trajetória individual de um candidato: voltar a ter uma representação federal diretamente vinculada à região. A candidatura de Elmo Vaz, pelo Avante, coloca em discussão a capacidade do território de transformar sua força eleitoral em protagonismo nas decisões nacionais.
A ausência de uma representação própria, nativa, é antiga. Beto Lélis exerceu mandato de deputado federal entre 1995 e 1997 e renunciou em 1º de janeiro de 1997 para assumir a Prefeitura de Irecê. Desde então, aproxima-se de três décadas o intervalo sem a continuidade daquela representação regional na Câmara.
Nesse período, os municípios construíram relações com parlamentares de outras bases, conquistaram recursos e estabeleceram parcerias. Entretanto, permanece uma questão: como fazer das necessidades do Território de Irecê uma prioridade permanente em Brasília, acompanhada durante todo o mandato?
ELMO VAZ REÚNE AS CREDENCIAIS PARA REPRESENTAR O TERRITÓRIO DE IRECÊ
Elmo apresenta credenciais que dão consistência a essa discussão. Natural de Ibititá, é engenheiro civil formado pela Universidade Federal da Bahia, em 1989. Sua formação inclui especializações em saneamento ambiental, metodologia do ensino superior e gestão integrada das águas e resíduos nas cidades, conforme currículo acadêmico reproduzido a partir da Plataforma Lattes.
Servidor de carreira da Embasa, exerceu funções técnicas e de direção, chegando à superintendência. Também foi diretor-geral da Superintendência de Construções Administrativas da Bahia, a antiga Sucab, e presidente da Codevasf. Sua trajetória reúne, portanto, experiências nas administrações estadual e federal, além da gestão municipal por dois mandatos consecutivos em Irecê, tendo feito o seu sucesso Murilo Franca (PSB).
Na Codevasf, presidiu a companhia de maio de 2012 a maio de 2015. Durante esse período, participou de iniciativas relacionadas à irrigação, ao saneamento e ao desenvolvimento regional — áreas diretamente associadas aos desafios econômicos e ambientais do semiárido.
Entre os registros estão o lançamento do edital de ocupação da primeira etapa do Baixio de Irecê e a assinatura de convênio com o Banco do Nordeste para financiar agricultores na implantação do projeto, em 2013. No mesmo ano, assinou, com o então governador Jaques Wagner, a ordem de serviço para implantação do sistema de esgotamento sanitário de Canarana. São exemplos documentados de sua participação em ações estruturantes realizadas por instituições e governos parceiros.
À frente da Prefeitura de Irecê, cumpriu dois mandatos consecutivos, de 2017 a 2024. Essa experiência acrescentou ao percurso técnico o contato cotidiano com os limites do orçamento municipal, as necessidades dos serviços públicos e a negociação de investimentos.
Em entrevista publicada em 2024, Elmo destacou entre os resultados de sua gestão o avanço das escolas de tempo integral, o trabalho do Cermult e do Tratamento Fora do Domicílio, o Mercado do Produtor, o Mercado de Arte e as ações da Secretaria da Mulher. Na mesma entrevista, reconheceu a necessidade de avançar em meio ambiente, esporte e agricultura. Esse balanço, apresentado pelo próprio gestor, permite identificar prioridades e desafios de sua passagem pela Prefeitura.
A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTAÇÃO NATIVA
A importância de uma eventual eleição precisa ser medida pelo que ela pode representar para toda a região. Um deputado federal participa da elaboração das leis, da discussão do orçamento da União e da fiscalização do Executivo. Também pode articular ministérios, órgãos públicos e instituições financeiras em torno de projetos regionais.
Para Irecê e municípios vizinhos, isso significa a possibilidade de manter uma agenda dedicada à segurança hídrica, ao fortalecimento da agricultura familiar, à infraestrutura de produção, à saúde regionalizada e à formação profissional. Significa acompanhar projetos desde sua apresentação até a execução, cobrar respostas e organizar prioridades com prefeitos, consórcios, cooperativas, sindicatos e instituições de ensino.
Na economia, essa representação pode contribuir para buscar condições de armazenamento, beneficiamento e comercialização da produção, ampliando a renda que permanece no território. No desenvolvimento social, pode defender investimentos que aproximem serviços das comunidades e criem oportunidades para os jovens. Na infraestrutura, pode ajudar a dar continuidade a projetos que exigem recursos e articulação além das possibilidades de cada prefeitura.
A origem regional, por sí, não garante um bom mandato. Seu valor está na combinação entre conhecimento do território, capacidade de negociação, compromissos verificáveis e prestação de contas. A experiência técnica e administrativa de Elmo oferece fundamentos para considerar sua candidatura uma oportunidade concreta de construir essa representação.
Sua eleição dependerá dos votos e do desempenho partidário. Mas o significado político da disputa já está colocado: o Território de Irecê pode transformar parte de sua força eleitoral em uma voz federal comprometida com uma agenda regional.
Ao encerrar a campanha, a questão ultrapassa quem ocupará uma cadeira. Trata-se de quem terá a responsabilidade de levar as necessidades da região ao centro das decisões nacionais e acompanhar, de forma permanente, as respostas que sua população espera. É nessa perspectiva que a candidatura de Elmo Vaz ganha dimensão territorial.





