Caso reforça a importância da higiene alimentar e do diagnóstico preciso para doenças parasitárias.
Da redação | Cultura&Realidade
O que parecia ser um caso de câncer com metástases no cérebro acabou revelando uma doença parasitária rara. Um homem de 60 anos, na Espanha, procurou atendimento médico após apresentar fortes dores de cabeça e alterações no comportamento. Os primeiros exames apontavam para múltiplas lesões cerebrais compatíveis com metástases, mas o diagnóstico final surpreendeu a equipe médica: o paciente tinha neurocisticercose, uma infecção causada pelas larvas da Taenia solium, popularmente conhecida como tênia.
A descoberta ocorreu após exames mais detalhados identificarem cistos característicos da doença no cérebro. Testes laboratoriais confirmaram a presença do parasita, descartando a suspeita inicial de câncer.
Segundo os especialistas, a neurocisticercose ocorre quando a pessoa ingere ovos da tênia presentes em água, alimentos ou superfícies contaminadas por fezes humanas. Diferentemente da teníase intestinal — adquirida pelo consumo de carne de porco malcozida contendo larvas —, a neurocisticercose não é transmitida pela carne, mas pela ingestão dos ovos do parasita.
O caso chamou ainda mais atenção porque o paciente não havia viajado para regiões onde a doença é considerada comum. A suspeita é que a infecção tenha ocorrido anos antes, permanecendo silenciosa até o aparecimento dos sintomas.
Após o diagnóstico correto, ocorrido na Espanha, o homem iniciou tratamento com medicamentos antiparasitários associados a corticoides para reduzir a inflamação provocada pela morte das larvas. A evolução clínica foi considerada satisfatória, com melhora significativa do quadro.
Especialistas destacam que, embora seja uma doença incomum em países europeus, a neurocisticercose deve ser considerada em pacientes com lesões cerebrais de causa indefinida. O caso também serve de alerta para a importância de hábitos simples de prevenção, como higienizar corretamente frutas e verduras, consumir água tratada e manter boas práticas de higiene das mãos.
Com informações do periódico científico Emerging Infectious Diseases, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) e de pesquisadores do Hospital de La Plana, na Espanha.






