Proposta de redução da jornada avança na Câmara e expõe embate ideológico no Congresso
Da Redação | Cultura&Realidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a articulação política para aprovar o fim da escala 6×1 como parte da agenda trabalhista prioritária de 2026. A proposta, que prevê a substituição do modelo de seis dias consecutivos de trabalho por um regime com dois dias de descanso semanal, tornou-se um dos principais temas no Congresso Nacional neste ano eleitoral.
A medida tramita na Câmara dos Deputados e aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça. Caso receba parecer favorável, seguirá para votação em plenário e depois para o Senado.
Pesquisas recentes apontam apoio majoritário da população à mudança, desde que não haja redução salarial. A proposta defendida pelo governo estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e adoção predominante da escala 5×2. A justificativa central é a melhoria da qualidade de vida, ampliação do convívio familiar e redução do desgaste físico e mental dos trabalhadores.
Apesar da adesão popular, a resistência à proposta parte principalmente de setores da extrema-direita no Congresso. Lideranças do PL e do União Brasil articulam para frear o avanço do texto ainda na comissão, alegando possíveis impactos econômicos e aumento de custos para empresas.
Analistas políticos avaliam que a postura desses grupos prioriza a proteção de interesses empresariais, mesmo diante de uma pauta com forte respaldo social. Parlamentares favoráveis ao projeto argumentam que o Brasil mantém jornadas extensas em comparação a outras economias e que a atualização das regras trabalhistas representa avanço social.
Entidades empresariais manifestaram preocupação com a elevação da folha de pagamento e eventuais reflexos nos preços ao consumidor, sobretudo em setores que funcionam de forma contínua. Representantes do comércio defendem estudos técnicos antes da aprovação definitiva.
Especialistas em Direito do Trabalho ressaltam que mudanças na organização da jornada já foram implementadas em outros países sem comprometer a sustentabilidade econômica no longo prazo. Para eles, o principal desafio está na transição e na adaptação gradual das empresas ao novo modelo.
O debate sobre o fim da escala 6×1 consolidou-se como um dos principais embates políticos de 2026. De um lado, o governo federal e parlamentares alinhados defendem a ampliação de direitos trabalhistas; de outro, setores da extrema-direita resistem à mudança sob argumento econômico. A discussão ultrapassa o campo técnico e assume papel central na disputa ideológica do ano.
Com informações de Agência Brasil, Terra, BandNews FM






