– A dimensão dos aspectos sociais, econômicos e culturais da maior e melhor festa de todos os anos, no principal polo comercial do Território de Irecê –
Da Redação I Cultura&Realidade – Por Edirlan Souza*
Em 2026, Irecê celebra um marco: os 100 anos do município que promete realizar o “São João do Século”. E não se trata de orgulho exagerado de um apaixonado por essa terra: a nossa festa é reconhecida como um dos maiores festejos juninos da Bahia e do Brasil, chamada por muitos de “Melhor São João do Mundo”. Essa tradição é, hoje, também um dos principais motores da economia regional.
A dimensão econômica acompanha a grandeza cultural. Em 2025, a festa proporcionou um grande impacto na região, com noites que ultrapassam a casa das 100 mil. Durante seis dias, Irecê se transforma na “Cidade do São João”: hotéis lotados, comércio aquecido, restaurantes e barracas cheios, transporte em alta e uma legião de trabalhadores temporários ganhando renda. O dinheiro circula rápido e chega a muita gente — do grande lojista ao ambulante da esquina.
E o impacto vai muito além dos dias de festa. Como polo comercial e de serviços de um território que reúne cerca de 20 municípios, Irecê abastece toda a região no período: roupa xadrez, tecidos, calçados, decoração e alimentos passam pelo nosso comércio, que vem se firmando inclusive como polo de vestuário. A festa atrai, e o nosso comércio sustenta a festa de toda a região.
Há ainda um traço bonito que liga o nosso campo à celebração. A região de Irecê é um grande produtor de milho — e o milho é o coração da mesa junina, do milho cozido à pamonha, da canjica ao bolo. Junto a tradições como o Desfile de Carroças, o Barracão Zé Bigode, o Corredor do Forró e a Cidade do São João, isso mostra como cultura e economia caminham lado a lado: cada uma dessas atrações também gera renda, ocupação e identidade para a nossa gente.
Esse vigor não é só nosso. Segundo a Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA), o São João de 2025 movimentou R$ 2,3 bilhões na economia baiana e atraiu mais de 1,8 milhão de visitantes — recorde sobre 2024. A pesquisa Expectativas dos Pequenos Negócios Baianos para 2026, do Sebrae/BA, aponta o período junino como a segunda principal data para o aumento de faturamento dos pequenos negócios, com 53% deles planejando crescer até 15% em relação ao ano anterior. O São João descentraliza a economia e leva oportunidade ao interior — e Irecê é prova viva disso.
É justamente aí que mora o maior potencial do período: na preparação. O pequeno negócio que se planeja com antecedência — organizando estoque, equipe, precificação, divulgação e presença nas redes sociais — e investe em um atendimento de excelência aproveita muito mais essa temporada. Um empreendedor preparado não apenas vende mais: ele encanta o visitante, fideliza o cliente e sai do período mais forte do que entrou.
O calendário de 2026 amplia ainda mais esse potencial. O São João e a Copa do Mundo formam dois grandes movimentos de consumo praticamente consecutivos. Qualificar o empreendedor para multiplicar suas vendas nessas duas janelas tem um efeito que vai muito além do caixa individual: gera contratações temporárias, faz mais renda circular na cidade, fortalece as cadeias produtivas locais e ajuda a transformar negócios sazonais em permanentes. É assim que uma grande festa se converte, de fato, em desenvolvimento econômico para Irecê e para toda a região.
No ano do centenário, vale reafirmar: o São João de Irecê é, ao mesmo tempo, patrimônio cultural e oportunidade econômica — e as duas coisas se fortalecem mutuamente. A tradição não compete com a economia; ela a sustenta. Quem se prepara, qualifica o atendimento e planeja com antecedência transforma essa vitrine centenária em crescimento o ano inteiro. E o Sebrae estará, como sempre, ao lado de quem decide fazer da nossa maior festa um verdadeiro motor de desenvolvimento para Irecê e toda a região.

(*) Edirlan Souza é Administrador e Gerente Regional do Sebrae/BA, Unidade Regional de Irecê






