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Livro resgata a memória dos migrantes paraibanos que ajudaram a construir Irecê

REDATOR by REDATOR
6 de agosto de 2026
in CULTURA
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Home CULTURA
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-Obra de Marilva Cavalcante revisita trajetórias de famílias que chegaram à região entre as décadas de 1950 e 1970 e revela como migração, trabalho, memória e identidade se entrelaçam na formação da cidade-

Da Redação I Cultura&Realidade

No próximo 8 (sábado), Irecê ganha uma nova contribuição para a preservação de sua memória histórica. Será lançado o livro Por (de) Trás das Memórias: Trajetórias de Migrantes Paraibanos na Capital do Feijão – Irecê (1950–1970), de autoria da professora e historiadora Marilva Batista Cavalcante.

Resultado de sua dissertação de Mestrado em História Regional e Local pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a obra mergulha nas experiências de homens e mulheres paraibanos que deixaram suas terras de origem e chegaram a Irecê em um período marcado pela expansão da agricultura, pelo surgimento do comércio e pela transformação do espaço urbano.

Mais do que registrar deslocamentos populacionais, Marilva procura compreender o que esses migrantes viveram, construíram e deixaram como legado na cidade. A pesquisa parte das memórias de migrantes paraibanos cujas histórias de vida estiveram relacionadas à agricultura e ao comércio que começava a se consolidar em Irecê nas décadas de 1960 e 1970. A autora propõe olhar para essas trajetórias não apenas como parte de uma estatística migratória, mas como experiências humanas que ajudaram a produzir novas sociabilidades, relações e formas de pertencimento.

“Ao rememorar a história de gente comum, não estamos meramente tentando conferir-lhe um significado político retrospectivo; estamos tentando, mas genericamente, explorar uma dimensão desconhecida do passado”, registra a autora, dialogando com o historiador Eric Hobsbawm.

A cidade vista por quem chegou

A perspectiva adotada por Marilva é particularmente importante porque desloca o olhar da chamada “grande história” para as experiências de pessoas comuns. A migração, na obra, aparece como um processo que envolve rupturas, expectativas, dificuldades, estratégias de sobrevivência, formação de famílias, relações de trabalho e, sobretudo, reconstrução de identidades.

Ao chegar a um novo espaço, o migrante não apenas passa a ocupar a cidade. Ele também participa de sua transformação. É nessa perspectiva que a pesquisa busca compreender como as trajetórias individuais e coletivas dos paraibanos contribuíram para a formação dos espaços urbanos e das identidades que foram sendo construídas em Irecê.

As memórias tornam-se, assim, uma importante fonte para compreender aspectos da história local que dificilmente aparecem nos documentos oficiais.

Memória, oralidade e identidade

A formação acadêmica da autora está diretamente relacionada à proposta do livro. Licenciada em História pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande, Marilva é especialista em Metodologia do Ensino Superior e mestre em História Regional e Local pela UNEB.

Sua trajetória de pesquisa é marcada pelo interesse em memória, oralidade, iconografia, migração, identidade e história local. Essa abordagem permite que a história de Irecê seja observada a partir das experiências de seus próprios moradores — inclusive daqueles que chegaram de outras regiões e passaram a participar da construção daquilo que posteriormente seria reconhecido como a Capital do Feijão.

O livro, portanto, não trata apenas de paraibanos que migraram para Irecê. Trata também de Irecê como território de encontros, deslocamentos, adaptações e reconstrução de vidas.

Uma história que estava nas lembranças

Ao recorrer às narrativas dos migrantes e às diferentes formas de registro da memória, a autora recupera fragmentos de uma cidade que se transformava rapidamente.

São histórias de trabalho, relações familiares, dificuldades, conquistas e pertencimento. Histórias que ajudam a compreender como uma comunidade se forma não apenas pela ação de seus personagens mais conhecidos, mas também pela contribuição cotidiana de milhares de pessoas que, muitas vezes, permanecem anônimas nos registros tradicionais.

É justamente nesse ponto que reside uma das maiores contribuições da obra: dar visibilidade histórica às experiências de quem participou da construção da cidade sem necessariamente aparecer nos livros de história. A pesquisa mostra que a identidade de um lugar não nasce pronta. Ela é construída ao longo do tempo, pelas relações estabelecidas entre pessoas, territórios, culturas, memórias e diferentes formas de viver e trabalhar.

Conhecer o passado para compreender o presente

Ao recuperar as trajetórias dos migrantes paraibanos, Por (de) Trás das Memórias também contribui para ampliar a compreensão sobre a própria formação de Irecê. A cidade que hoje conhecemos é resultado de múltiplos movimentos humanos. Gente que chegou, gente que partiu, famílias que se estabeleceram, trabalhadores que abriram caminhos, agricultores que cultivaram a terra e comerciantes que ajudaram a movimentar uma economia em transformação.

Preservar essas histórias significa reconhecer que a memória coletiva é construída também a partir das experiências individuais. Por isso, o lançamento da obra representa mais que a apresentação de um novo livro. É a oportunidade de revisitar uma parte da história de Irecê a partir das vozes e lembranças daqueles que ajudaram a construí-la.

Para quem pesquisa a história regional, para estudantes, professores, pesquisadores e, especialmente, para quem deseja compreender as raízes sociais e culturais de Irecê, a obra de Marilva Batista Cavalcante chega como uma importante fonte de reflexão.

Porque uma cidade também se reconhece nas histórias de quem chegou antes de nós. E preservar essas memórias é uma forma de garantir que o futuro não apague os caminhos que nos trouxeram até aqui.

Lançamento: 8 de agosto de 2026

Por (de) Trás das Memórias: Trajetórias de Migrantes Paraibanos na Capital do Feijão – Irecê (1950–1970)

Autora: Marilva Batista Cavalcante

Local: Livraria Monaliza – Rua Augusto Pereira Nunes – Irecê-BA

A obra pode ser adquirida diretamente com a autora, por meio do seu portal no Instagram: @marilvabatistacavalcante

GALERIA PRÉ-LANÇAMENTO NA FLIRECÊ

Tags: destaqueFLIRECÊIrecê-BALivraria MonalizaMemóriasParaibanos
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