– Mais que atualização técnica, um momento de escuta para a ampliação do papel das anonáceas na Bahia, visando o seu fortalecimento no mercado nacional e internacional –
Da Redação I Cultura&Realidade
A cadeia produtiva das anonáceas — grupo de frutas que reúne espécies como a pinha, a atemoia e a graviola — vive um momento decisivo na Bahia. Com potencial de expansão nos mercados nacional e internacional, essas culturas ainda enfrentam desafios que limitam sua produtividade, elevam os custos de produção e comprometem a competitividade dos agricultores.
Esses desafios estarão no centro do I Seminário Territorial das Anonáceas, promovido pela Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (SEAGRI), por meio da Diretoria de Defesa Sanitária Vegetal da Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), com apoio da Câmara e da Prefeitura de Presidente Dutra, por meio da Secretaria de Agricultura do município. O evento ocorrerá no auditório da Câmara de Vereadores, dia 23/08, às 8h.

O evento reunirá especialistas, pesquisadores, técnicos e produtores para discutir desde a importância econômica da cultura até estratégias de manejo fitossanitário, uso responsável de defensivos agrícolas e alternativas para o fortalecimento da atividade.
Mais do que reunir especialistas, o seminário apresenta uma programação organizada em sequência lógica, conduzindo os participantes das políticas públicas de defesa sanitária aos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais.
A abertura técnica será conduzida por Vinícios Videira, da Diretoria de Defesa Sanitária Vegetal da ADAB, que abordará o papel da defesa agropecuária como instrumento de desenvolvimento econômico.
A palestra destacará como a prevenção de pragas, a fiscalização fitossanitária e o monitoramento da produção contribuem para garantir competitividade, segurança sanitária e acesso a mercados cada vez mais exigentes. Trata-se de uma atividade muitas vezes pouco percebida pelo consumidor, mas essencial para proteger a produção agrícola e reduzir prejuízos econômicos.
Na sequência, o professor Abel Rebouças, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), apresentará os aspectos gerais das anonáceas e sua relevância econômica.
A proposta é demonstrar o potencial produtivo e mercadológico de culturas como a pinha, a atemoia e a graviola, que vêm conquistando espaço tanto no mercado de frutas frescas quanto na agroindústria. Em regiões semiáridas, essas espécies representam uma importante alternativa para diversificação da produção e geração de renda.
O terceiro painel tratará de um dos maiores desafios da cadeia produtiva: a fitossanidade. O engenheiro agrônomo Joiran Mendes, da ADAB, discutirá as principais pragas e doenças que afetam as anonáceas e apresentará estratégias de manejo integrado, monitoramento fitossanitário e controle sustentável.
Problemas como Broca-dos-frutos das Anonáceas, cochonilhas, ácaros, antracnose e outras doenças podem comprometer significativamente a produtividade e a qualidade dos frutos quando não manejados adequadamente. A adoção de práticas preventivas e do Manejo Integrado de Pragas reduz perdas, diminui custos e favorece uma produção mais sustentável.
Na parte da tarde, Eládio Dourado, também da ADAB, conduzirá a palestra sobre o uso de agrotóxicos nas lavouras de anonáceas. O enfoque será o uso correto e responsável dos defensivos agrícolas, destacando a importância do receituário agronômico, do respeito às recomendações técnicas, da proteção dos trabalhadores rurais, da preservação ambiental e do cumprimento dos períodos de carência.
O debate também deverá abordar alternativas que vêm ganhando espaço na agricultura moderna, como os bioinsumos e o controle biológico, tecnologias que contribuem para reduzir impactos ambientais sem comprometer a produtividade.
O encerramento técnico ficará novamente a cargo de Joiran Mendes, responsável pela mediação da mesa de debates com os produtores rurais. Após a apresentação dos conteúdos científicos e tecnológicos, será o momento de aproximar o conhecimento da realidade do campo, discutindo temas como custos de produção, disponibilidade de mudas certificadas, assistência técnica, irrigação, comercialização, acesso ao crédito rural e os impactos das mudanças climáticas sobre a fruticultura.
A estrutura da programação evidencia uma proposta de integração entre pesquisa, defesa agropecuária, assistência técnica e produtores, fortalecendo o diálogo entre ciência e prática agrícola. Mais do que transmitir conhecimento, o seminário busca construir soluções capazes de ampliar a competitividade de uma cadeia produtiva com elevado potencial econômico para a Bahia.
Ao reunir especialistas com reconhecida experiência e organizar os temas de forma complementar, a ADAB e a SEAGRI reafirmam que o desenvolvimento da fruticultura depende da integração entre conhecimento científico, inovação tecnológica, responsabilidade sanitária e participação ativa dos produtores.
Em um cenário marcado pelas mudanças climáticas e por mercados consumidores cada vez mais exigentes, iniciativas como esta contribuem para consolidar a produção de pinha, atemoia e graviola como uma atividade estratégica para a geração de renda, emprego e desenvolvimento sustentável no Território de Irecê.






