
– Conheça a trajetória estudantil de Fred Ramom, jovem de 20 anos, da cidade de Recife (PE) filho da faxineira Suely Santo, ex-aluno de escola pública, que foi aprovado em 9 universidades dos EUA –
DA REDAÇÃO I Cultura&Realidade
Apesar da pouca idade, Fred se torna uma referência motivacional, em razão da sua história. Negro, filho de família de baixa renda residente em Recife (PE), a sua mãe Suely Santo é faxineira, sem condições de oferecer as condições de vida exigidas por muitos da sua geração.
O desejo por entender o que diziam músicas internacionais, logo ele se interessou pelo inglês e daí, descobriu o mundo. Foco e determinação foram as pontes para a superação das dificuldades enfrentadas. Falta de estrutura confortável de moradia, vestuário, equipamento tecnológico velho e danificado, parte dos livros encontrada no lixo… nada foi motivo de desmotivação e desculpas para não estudar, servir à comunidade e se tornar um ícone de referência para a academia e o mundo.
Na matéria realizada pela jornalista Beatriz Castro, exibida na manhã desta terça-feira no Hora Um, da TV Globo, é contada a proeza deste jovem que define, como maior desejo, ser um exemplo para inspirar mais jovens e mudar a realidade social do Nordeste brasileiro.
Desde criança Fred sempre foi apegado aos estudos, segundo conta a mãe dele. Em 2018 concluiu o Ensino Médio na escola pública estadual Professor Fernando Mota, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul da Capital Pernambucana. Paralelo aos estudos regulares, ele realizou 10 cursos, dentre eles, 5 de línguas estrangeiras. O jovem nordestino agora se prepara para ingressar no curso de Ciência da Computação e Estudos Globais da Whittier College, em Los Angeles, no estado da Califórnia.
O CAMINHO – O interesse em aprender inglês veio de músicas como as da cantora pop Cristhina Aguilera. “Eu gostava de entender o que ela falava e queria falar com ela em inglês também. Desde pequeno, escuto muito música americana. Então, a música me fez querer estudar inglês e estudando inglês eu descobri o mundo que é o Estados Unidos e todo esse universo global”, lembrou.
O resultado do esforço foi uma bolsa de 70% na universidade de Los Angeles e na aprovação também na Universidade de Inovação ASU; Manhattanville College; Florida Tech; Temple University; University of Arizona; Stetson University; Adelphi University; e University of La Verne.
O gosto pelo estudo, segundo Fred, vem do que uma boa educação proporciona. A coleção de livros é o principal tesouro da casa inacabada.
Alguns foram achados no lixo. Com eles, o jovem aprendeu idiomas, acumulou diplomas e não parou mais. Fez um curso atrás do outro.
Durante o período na escola, fez dez cursos. “Desde o primeiro ano [Ensino Médio], eu tenho esse interesse. Fiz cinco cursos de línguas, três de inglês, um de espanhol, um de francês, empreendedorismo, curso se artes, fui bailarino, também fui do conselho municipal”, lembrou.
Orgulhosa, a mãe dele, Suely Santo, contou que nunca precisou pedir para o filho estudar. “A nota dele era a máxima, nunca tive nenhum problema. Ele ia para a aula até debaixo de chuva. Dobrava a calça, sapato na mão e aqui fica um rio quando chove. Nunca, nunca faltou. Às vezes, aparecia trabalho no sábado e ele ia”, lembrou.
Fred também quis compartilhar conhecimento. Fez trabalho voluntário, deu aulas de idiomas para crianças. Na pandemia, focou ainda mais nos estudos. Virou noites no computador. “Está velhinho, mas foi com ele que fui aprovado em nove universidades”, disse, exibindo o computador surrado, inclusive faltando teclas.
O que ajudou na aprovação de Fred Ramon não foi só o que ele aprendeu na escola, mas o que fez fora da sala de aula, no papel de cidadão.
“Eles querem saber o que você quer fazer para contribuir. Se você está preocupado com o meio ambiente, com as crianças que estão passando fome na África, com o trabalho informal dos jovens como eu e outra questão social. Isso, com certeza, é uma missão que faz parte da minha vida”, afirmou
Ex-professores escreveram cartas de recomendação. “Eu me ponho nesta posição de estar me expondo, porque eu quero que outros jovens tenham esta consciência de que nós podemos melhorar o Nordeste. Eu quero realmente chegar aqui no Brasil e conseguir ajudar mais jovens e fazer mais e mais e mais”, frisou.
Assista ao vídeo da matéria CLICANDO AQUI