
– Países do continente asiático transformam litoral brasileiro em depósito de lixo, impactando a saúde dos ecossistema marinhos e afetando o turismo em diversas praias, principalmente do Rio Grande do Norte –
DA REDAÇÃO I Cultura&Realidade
Por Alessandro Di Lorenzo, editado por Ana Luiz Figueiredo – Equipe de Olhar Digital
Pauta de “Olhar Digital” reconstitui denúncia sobre o tema, pontuando que o descarte irregular de lixo nos oceanos é um grave problema da atualidade. Esses resíduos impactam a vida marinha, levando animais a ficarem presos ou ingerirem embalagens plásticas, provocando elevado índice de mortandade.
Além disso, o aumento de microplásticos representa riscos à saúde humana. Outro efeito desse cenário é a poluição das praias, como ocorre atualmente em uma área do litoral brasileiro.
Imensa maioria do lixo descartado é produzida na Ásia
- A Praia do Segredo, localizada no Rio Grande do Norte, atrai centenas de turistas todos os anos em razão da sua beleza selvagem.
- No entanto, a presença de lixo no local tem afastado muitos visitantes, impactando a economia da região.
- Uma reportagem da BBC percorreu a praia e localizou dezenas de embalagens de produtos fabricados em diversos países.
- Apesar de terem sido encontrados também itens fabricados no Brasil, nos Estados Unidos e em países africanos, o que chamou a atenção foi a esmagadora maioria de produtos asiáticos.
- A maioria dos objetos foi produzida recentemente e tinha as embalagens quase intactas.
- Foram encontradas garrafas de bebidas não alcoólicas, produtos de limpeza e até recipientes de óleo de motor.
- Quase todas as embalagens eram de plástico, mas também havia algumas de lata, como um removedor de tinta.

O Olhar Digital entrou em contato com o Ministério Público do Rio Grande do Norte, que afirmou que o procedimento sobre este caso se encontra em fase de coleta de dados. O MPRN afirma estar levantando informações junto a diversos órgãos. Apenas quando obter todas estas informações, poderá definir os próximos passos da investigação, afirma a instituição.
O Ibama também foi acionado pelo Olhar Digital, mas ainda não obtivemos retorno do instituto responsável pelo meio ambiente e recursos naturais renováveis do país.
Embarcações fazem o descarte para evitar cobrança de taxas
Para Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em poluição marinha, a hipótese mais provável é que o acúmulo de lixo ocorra pelo descarte por navios. Segundo o Banco Mundial, o transporte marítimo responde por cerca de 90% do comércio global, e a Ásia abriga 20 dos 30 portos mais movimentados do mundo. Além disso, o tráfego de navios entre o Brasil e o continente asiático é intenso.
Os materiais costumam ser descartados perto dos portos onde os navios vão atracar e acabam chegando às praias levado por correntes marítimas, diz o pesquisador. O especialista destaca que até existem resoluções internacionais proibindo o descarte de lixo não orgânico no mar, mas estas regras são violadas frequentemente.

Uma das explicações para isso que, para recolher o lixo dos navios, os portos cobram uma taxa que varia conforme a quantidade do material coletado. Por isso, muitas embarcações optam por descartar produtos diretamente no mar, se livrando da necessidade de pagamento.
No Brasil, o órgão responsável por definir diretrizes sobre as taxas e tarifas em portos é a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que não se pronunciou oficialmente sobre o tema até o momento. Já o Ministério de Portos e Aeroportos faz a regulação do setor portuário e afirma que os portos brasileiros seguem “as melhores práticas globais” sobre gestão do lixo.
Impactos ambientais do lixo marinho no ecossistema costeiro
Além de afetar a estética das praias e afastar turistas, o lixo marinho tem consequências graves para os ecossistemas costeiros. Resíduos plásticos podem prejudicar a fauna local, afetando tartarugas, aves e peixes que ingerem fragmentos ou ficam presos em redes e embalagens.
Substâncias químicas presentes nos detritos também representam uma ameaça, pois contaminam a água e o solo, podendo impactar populações ribeirinhas e comunidades pesqueiras. A longo prazo, essa poluição compromete a biodiversidade marinha e afeta a cadeia alimentar.

Pesquisas apontam que os microplásticos, derivados da degradação desses resíduos, já foram encontrados no organismo humano, sendo associados a riscos de inflamações e doenças.
Ações para conter a poluição dos oceanos
Governos e organizações ambientais têm buscado formas de reduzir o lixo no mar, seja por meio de campanhas de conscientização, fiscalização de embarcações ou desenvolvimento de materiais biodegradáveis.
Algumas cidades litorâneas implementaram programas de limpeza de praias, incentivando a participação de voluntários para remover resíduos das áreas mais afetadas. No Brasil, o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar propõe ações para monitorar e mitigar o problema, mas especialistas apontam dificuldades na fiscalização e no cumprimento de normas internacionais.