
As estatísticas são preocupantes: 20% das mulheres são vítimas de abuso sexual, segundo a OMS. Como enfrentar as marcas deixadas por um trauma assim? O primeiro passo passa por pedir ajuda.
Pelo menos uma em cada cinco mulheres já foi vítima de abuso sexual, uma violência que deixa marcas profundas em quem a sofre. Os dados são da Organização Mundial da Saúde, que ainda afirma que metade das mulheres vítimas de abuso sexual conhece seu agressor.
O que vem depois é um misto de dor e culpa, que bloqueia a pessoa na hora de falar sobre o assunto, inclusive, em muitos casos, de denunciar o abuso sofrido. Como boa parte deles acontece na infância e adolescência, o medo de ser questionada, de que não acreditem na sua versão dos fatos, é paralisante.
É por isso que muitas mulheres somente conseguem assumir o abuso passados muitos anos. E durante esse tempo vão arrastando os traumas deixados pela violência sexual vivida. Segundo psicólogos especializados em casos de abusos sexuais, apesar de cada pessoa ter uma trajetória de vida distinta e suas particularidades no processo de convivência e superação da violência sofrida, é possível observar pontos em comum:
- A pessoa evita contato físico, e pode preferir manter relações à distância, justamente por não se sentir confortável para falar sobre isso nem com as pessoas mais próximas, quanto mais com um companheiro sentimental.
- Também é difícil que uma pessoa que foi abusada consiga associar o sexo ao prazer, apresentando dificuldades em sentir desejo e consequentemente desfrutar da relação sexual.
- A pessoa tem dificuldade de voltar a confiar em alguém, o que pode provocar ansiedade, isolamento e pode ser a porta de entrada para uma depressão.
- Muitas mulheres acabam desenvolvendo disfunções sexuais por causa do trauma, e em casos menos frequentes respondem com uma hiperssexualização.
Está claro que elaborar o trauma é um processo longo e difícil, mas é importante dissipar os medos, encontrar um ambiente de confiança para falar sobre o assunto e recomeçar o processo de reconstrução da individualidade.
Meios para lidar com o trauma
A psicoterapia é um grande aliado na hora de enfrentar o trauma deixado por um quadro de violência sexual. Falar sobre a experiência vivida é o que vai permitir deixar as lembranças traumáticas para trás, ressignificando memórias e possibilitando o empoderamento de sua vida.
Além disso, contar com uma rede de apoio (família e amigos) pode proporcionar o conforto emocional necessário para avançar no processo psicoterapêutico, sem se sentir pressionada. Aos poucos, conseguirá falar sobre os detalhes do ocorrido e como você se sentiu.
É importante reconhecer dificuldades, buscar suporte adequado evitando a tendência ao isolamento, saindo com os amigos, conhecendo gente nova e buscando atividades prazerosas que ajudam manter uma atitude positiva perante a vida.
Buscar um grupo de apoio para vítimas de abuso sexual também é recomendável. Escutar a experiência dos demais e como tratam de enfrentar as marcas deixadas pela violência fortalece, ajuda a dissipar o medo e reforça a sensação de não estar só.
Não sucumba à tentação de evitar relacionamentos, por medo de reviver as experiências traumáticas. É importante dar-se a oportunidade de receber carinho e encontrar o amor, de experimentar as (im)perfeições de dividir sua rotina com alguém.
Vale lembrar que, no processo de reconstrução como mulher, a masturbação tem um papel importante, pois ajuda a conhecer o próprio corpo e permite o contato com o prazer, sem culpa. Para muitas mulheres, a literatura erótica também pode ser uma ferramenta importante.